Criado na mesma época que os Jornais de Bairro, em 1982, o Intercolegial é hoje a maior competição estudantil do país. Ela surgiu após um pedido do primeiro editor dos cadernos, Milton Temer, para o Departamento de Promoções do GLOBO. A ideia era que fossem sugeridas iniciativas para incrementar a difusão de mais publicações e conquistar novos leitores. O jornalista Roberto Garofalo, que trabalhava no setor de Promoções à época, lembra que o evento fez sucesso logo na primeira edição, quando reuniu 472 escolas e cerca de 15 mil alunos. Em 2017, participam 214 colégios e cerca de dez mil alunos. A redução dos números é proposital, segundo Garofalo.
— Tudo começou em 1982, quando a editoria dos Jornais de Bairro buscava uma promoção popular para acompanhar seu lançamento nas edições do GLOBO. O Departamento de Promoções do jornal, comandado por Péricles de Barros, foi o responsável por elaborar o projeto. A ideia de uma competição estudantil, com vários esportes olímpicos, criada por mim e por José Sebastião, foi aprovada. No primeiro ano, tivemos tantos colégios inscritos que havia jogos todos os dias da semana. Quando superamos o primeiro ano e vimos que tínhamos criado um grande evento, começamos a ajustá-lo, limitando o número de participantes — relata Garofalo.
Pela competição já passaram grandes nomes do esporte nacional como Hugo Calderano (tênis de mesa), as gêmeras Bia e Branca Feres (nado sincronizado), Victor Penalber (judô), Luiz Lima (natação), Patrícia Amorim (natação), Mário Júnior (vôlei) e Virna (vôlei).
Ao todo, cerca de 350 mil estudantes já participaram das provas.
Em 2017, 12 modalidades serão disputadas no Intercolegial. O destaque é a estreia do skate (que estará nos Jogos Olímpicos a partir de 2020, no Japão).
— Escolhemos o skate por ser uma modalidade que está fazendo sucesso atualmente e por diversificar a gama de esportes. É um estilo muito diferente, que atrai crianças de outro universo — diz Janaína Claro, diretora da Abadai, empresa que produz os jogos.
APORTE FINANCEIRO E EDUCATIVO
O desfile de abertura do 35º Intercolegial aconteceu na Jeunesse Arena, na Barra, em abril. Presente na festa, o técnico de vôlei Bernardinho, duas vezes campeão olímpico, enalteceu a importância do evento:
— É um modelo que deveria ser regra no país. Se não há políticas planejadas, vamos ter que depender de iniciativas isoladas. Para pensar o Brasil como potência olímpica, precisamos disseminar o esporte nas escolas. Um evento assim é muito inspirador — comenta o atual treinador do time feminino de vôlei do Rexona-Sesc/Rio de Janeiro.
Com 12 títulos, o Colégio Santa Mônica, de Jacarepaguá, é o maior vencedor da competição. A segunda posição fica com o Salesiano Santa Rosa, de Niterói, que tem nove conquistas. O GEO Juan Antonio Saramanch, de Santa Teresa, e atual tricampeão da competição, fecha o pódio.
Pelo segundo ano consecutivo, o Sesc é o patrocinador principal do torneio. Mais do que o aporte financeiro, o compromisso é pela formação de uma população mais saudável e participativa e por uma integração entre educação e esporte. O apoio a práticas esportivas não é uma novidade para a instituição, que mantém instalações de primeira linha em suas sedes, promove eventos e competições e patrocina os times de vôlei do Rio de Janeiro, treinados por Bernardinho, no feminino, e pelo ex-jogador Giovane Gávio, no masculino.
— Tudo faz parte do mesmo conceito. Buscamos sempre aproximar as crianças do esporte, além de melhorar o lado social e a qualidade de vida da população. Os Jogos Olímpicos do Rio alertaram para a necessidade do hábito esportivo e saudável. Temos que aproveitar essa onda — comenta Natan Schiper, conselheiro do Sesc e diretor da Fecomércio.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Marcelo de Jesus / Agência O Globo