Bairros 35 anos: tijucanos lembram o que deixou saudade no bairro

Trinta e cinco anos se passaram e muita coisa mudou na Tijuca, com destaque para a Saens Peña e o seu entorno. Essas mudanças estão na memória de antigos moradores, que se recordam com nostalgia dos tempos em que os lambe-lambes tomavam as calçadas (ainda de pedras portuguesas); as pessoas se amontoavam em filas do lado de fora dos cinemas, abertos até tarde; o cheirinho de expresso vinha do Café Palheta e invadia a Conde de Bonfim; e o comércio refinado da Casa Sloper, um ícone de moda desde os anos 50, atraía consumidoras das classes A e B. Hoje não há mais lambe-lambes, nem cinemas, nem a Sloper, nem o antigo Palheta. Em seu lugar, uma profusão de bancos e farmácias.

A adolescência do empresário Mário Vilela, hoje com 45 anos, ficou marcada pelos cinemas e pelo Palheta.

— Quase todo dia tinha um filme diferente. Depois a gente ia para o Palheta paquerar, comer um sanduíche e tomar um sundae. A Saens Peña tinha vida noturna. hoje, depois das 20h não tem mais ninguém. A volta de pelo menos um cinema de rua já seria ótimo — diz ele, que falou sobre o “novo Palheta”, pequeno espaço dentro de uma drogaria onde antes funcionava a antiga cafeteria, que tinha dois andares — Nem o cafe consegue ser igual.

Cláudia Meira, de 54 anos, lembra dos lambe-lambes e da Casa Sloper, loja charmosa de dois andares especializada em vestuário, calçados e acessórios, que ficava na esquina da General Roca com Doutor Pereira dos Santos, e que encerrou as atividades em meados dos anos 1990.

— Tinha fila para o lambe-lambe. E a Sloper era referência. Foi lá que eu montei o enxoval do meu casamento, em 1986 — conta.

Nem tudo é nostalgia ou saudade dos tempos que não voltam mais. Entre as mudanças positivas para a região em 35 anos de trajetória estão a ampliação do metrô, em 2014, e a inauguração do Shopping Tijuca, em 1996.

— Nesses 35 anos a melhor coisa que aconteceu foi a chegada do shopping. No local, durante muito tempo, havia um terreno baldio. Como morador da Muda, a chegada da estação Uruguai foi ótima também — acredita o autônomo Tiago Marques.

Alguns moradores preferem não se prender ao passado. É o caso do aposentado Fernando Duarte.

— Eu procuro viver o momento e deixar o passado onde ele deve ficar. Os problemas urbanos da Tijuca continuam, tais como violência; desigualdade social, moradores de rua; desordem nas calçadas, com os ambulantes tomando quase toda a sua extensão. Temos que pensar em melhorar o presente, para termos um futuro melhor. Não sou pessimista, sou realista — acredita.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Arquivo O Globo / Agência O Globo