Projetado em 1916 para servir de residência, o Castelinho do Flamengo, onde desde 1992 funciona o Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho, vai passar por reforma. A prefeitura pretende restaurar a fachada e as áreas internas do prédio de quatro andares e torná-lo acessível, com a instalação de rampas e um elevador externo. O projeto foi enviado na semana passada para a RioUrbe, que deverá levantar os custos da transformação. A ideia é deixar o local pronto para abrigar o Centro de Referência da Maturidade, como informou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO.
O centro vai oferecer atividades culturais para pessoas acima de 60 anos. Mas também funcionará como uma espécie de laboratório, onde uma equipe de professores, artistas e intelectuais pensará projetos e escolherá conteúdos para serem exibidos aos mais velhos nos 64 equipamentos culturais da prefeitura, como museus, teatros, lonas, arenas e bibliotecas.
A criação do espaço, no entanto, colocou a construção, que já tem fama de mal assombrada, no meio de uma polêmica. É que o ex-prefeito Eduardo Paes já havia anunciado a intenção de abrigar no local o Centro de Referência LGBT. Segundo André Marini, subsecretário de Cultura da gestão Marcelo Crivella, a administração atual não encontrou nenhum projeto anterior para o local. E acredita, pelo perfil e pela faixa etária dos moradores do entorno, que o castelinho seja mais adequado ao novo uso proposto:
— Nós não temos na prefeitura nenhuma área pensando políticas culturais para pessoas acima de 55 anos, nem do ponto de vista de oferta de conteúdo, nem do ponto de vista de contratação de artistas a partir desta idade.
MOVIMENTO LGBT SURPRESO
Segundo Marini, a intenção é que dali saiam ideias para inspirar os gestores.
— Vamos usar o endereço como um espécie de “QG” — explicou o subsecretário, acrescentando que, enquanto as obras não forem concluídas, haverá exposições e outras atividades nos dois primeiros andares, para facilitar a acessibilidade.
O diretor do grupo Arco-Íris, Almir França, diz que, assim como a maioria das lideranças do movimento LGBT, foi surpreendido com a notícia:
— Por pelo menos dois anos, ocupávamos o Castelinho por um mês, antes da Parada Gay, com exposições, palestras, encenações e diversas ações de preparação para a parada. Teve um ano em que nós embalamos o prédio com uma grande bandeira com arco-íris. Na gestão anterior, foi lançado um projeto e tudo. Não fomos comunicados pela secretaria.
O estilista Carlos Tufvesson, que foi titular da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual na administração Paes, garante que o projeto de criação do Centro de Referência LGBT já havia sido divulgado ano passado. E que havia até um desenho arquitetônico:
— Mais uma descontinuidade dos programas da coordenaria. Não há política pública em andamento. Há risco de crescimento dos crimes de homofobia no Rio.
A gestão atual discorda. Coordenador Especial de Diversidade Sexual, Nélio Georgini diz que a criação de um único espaço LGBT no Rio precisa ser melhor discutida. Ele propõe que os equipamentos culturais passem a contar com representantes LGBT, principalmente transsexuais, em seus quadros. E quer começar pelo Castelinho do Flamengo, que terá uma transexual em sua equipe.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Agência O Globo / Márcia Foletto