Borboletas colorem as trilhas do Parque Nacional do Itatiaia

Esta época do ano não é de muitas flores no Parque Nacional do Itatiaia (PNI), na Serra da Mantiqueira, entre Rio de Janeiro e Minas Gerais, que completa 80 anos em junho. Nem por isso há menos cor. Borboletas pintam de vermelho, amarelo, laranja, azul, roxo, de um arco-íris inteiro as trilhas, mesmo as mais baixas e abertas do parque. O número de espécies ainda é incerto. Mas uma lista publicada em 2000 indica que são 914 espécies. Entre elas, nove das ameaçadas de extinção no Brasil.

Embora borboletas gostem de flores, não dependem apenas delas para viver. São tantas as “flores que voam” que borboletear se tornou atividade comum no Parque do Itatiaia. Por borboletear entenda-se o hobby de observar borboletas. Nada de redes. Estas são coisas de um passado sem consciência ambiental. Hoje, se borboleteia com câmara fotográfica, bloco de anotações e, em breve, um guia de campo. Quem o escreve é o observador de borboletas amador Moacir Rodrigues, um militar da reserva de 71 anos que se tornou guia turístico no parque.

OUÇA o canto dos pássaros do Itatiaia

— Elas têm tanta cor e desenhos nas asas que fiquei apaixonado. É inacreditável a quantidade e a facilidade com que encontramos borboletas por aqui. Porém, quando você procura por espécies específicas, é preciso ter grande paciência. E ótimos olhos, porque na minha opinião, as menores são as mais interessantes — afirma.

Rodrigues integra o Grupo de Observadores de Borboletas das Agulhas Negras (Goban), que reúne cerca de 40 pessoas. Eles auxiliam no trabalho de campo de cientistas, como o entomologista Alexandre Soares, do Museu Nacional/UFRJ, que estuda as mariposas e borboletas do parque.

O calendário informa que o inverno só começa em 21 de junho. Mas há um lugar onde ele não pode começar porque jamais termina. Terra de inverno sem fim, a parte alta do Parque Nacional do Itatiaia, não passa um mês do ano sequer sem temperaturas mínimas inferiores a 10 graus Celsius, revelam as três estações meteorológicas de lá. No último dia 24, o termômetro caiu abaixo de zero e o gelo formava placas com sol já nascido nos vales e montanhas da parte alta da reserva.

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Conhecida apenas pelo inverno rigoroso, a parte alta do parque é, na verdade, gélida o ano inteiro. Nenhum outro ponto do país é tão frio de forma constante os 12 meses do ano. Menos de três horas de viagem e 227 quilômetros separam esse reino do frio do império do calor, isto é, o município do Rio.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto? Márcia Foletto / Agência O Globo