Uma vez por mês, um grupo de mergulhadores entra no mar da Praia Vermelha e desce a uma profundidade de até doze metros para limpar o banco de areia. Criado há um ano, o projeto Verde Mar tem apoio de instituições internacionais e já retirou mais de 110 quilos de lixo deste pequeno oásis na saída da Guanabara. No último sábado, com presença de 20 mergulhadores, foram tiradas do mar garrafas de cerveja, uma bolsa de couro, calçados, talheres, uma cadeira de escritório e material usado em pesca.
– Apesar de estar na zona de amortecimento do Monumento Natural dos Morros da Urca e do Pão de Açúcar, a fiscalização aqui é precária, por isso iniciamos um trabalho de limpeza submarina e conscientização dos frequentadores da praia para que o problema seja reduzido – afirma Caio Salles, jornalista e mergulhador que idealizou o projeto.
No início, há um ano, eram quatro mergulhadores. No mutirão do último sábado, vinte estiveram presentes. Eles produzem relatórios especificando o tipo de lixo encontrado, com o objetivo de identificar as principais origens da poluição marinha no local, além de fazer um trabalho de conscientização com frequentadores da praia. O projeto faz parte do movimento Dive Against Debris (Mergulho contra detritos, da tradução do inglês), em que mergulhadores participam do programa Adopt a Dive Site, adotando um local de mergulho e enviando relatórios sobre as ações. A iniciativa também tem apoio de importantes organizações internacionais de preservação da vida marinha, como a Mission Blue e a Sea Shepherd.
O tipo de detrito mais encontrado desde o início do trabalho são restos de material de pesca, especialmente velas de ignição de carro, usadas como peso no lugar do chumbo, que custa mais caro.
– Esse microlixo se enterra na movimentação das marés e causa impacto no meio ambiente, demoram milhares de anos para se decompor – afirma Luiz André Albuquerque, diretor da Sea Shepherd no Rio.
Um dos mergulhadores mais experientes do grupo, Flávio Ramires, de 49 anos, que trabalha como instrutor de mergulho e também como marinheiro de navios, pensou que estava diante de uma arraia ao ver de longe a cadeira de escritório.
– A vida marinha resiste aqui na Praia Vermelha, é um prazer mergulhar aqui e ver peixes como o borboleta e o bananinha – diz.
Um dos primeiros a integrar o grupo, Kleber Leão, formado em cursos de mergulho em Fernando de Noronha, diz que mergulhar na Praia Vermelha é sempre surpreendente.
– É uma praia linda, que tem a mata ao redor protegida, mas com o mar sem a mesma proteção. Já vimos quatro tartarugas no mesmo dia uma vez. Mas também já vimos pesca de arrasto, que é proibida em áreas de costão.Denunciamos para o Ibama, para a Capitania dos Portos e para a Marinha, mas é tudo demorado. Falta fiscalização.
Segundo Salles, coordenador do Verde Mar, “uma das nossas bandeiras com esta ação é tornar clara a proibição da pesca com rede, ter uma regulamentação da pesca recreativa na praia e aumentar a fiscalização”. A partir de maio, o mutirão de limpeza passa a ser realizado todo último sábado de cada mês.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Divulgação