O secretário municipal de Conservação, Rubens Teixeira, disse nesta terça-feira que espera que, em até dez dias, todos os buracos das ruas do Rio estejam com a situação resolvida. Segundo levantamento da Central de Atendimento ao Cidadão da prefeitura, nos três primeiros meses deste ano, foram recebidos 7,5 mil chamados sobre buracos.
— Essa buraqueira toda é fruto de um rombo de mais de R$ 3 bilhões que a prefeitura assumiu, e nós tivemos que renegociar contrato. Já cortamos, só na Conservação, 27% dos contratos, o que significa uma redução dos contratos de R$ 75 milhões. Essa negociação já está sendo finalizada. Os contratos já estão sendo alterados, aditivados com essa reduções. Em breve, teremos materiais para tapar os buracos da cidade — afirmou Rubens Teixeira, em entrevista ao “Bom Dia Rio”.
Em relação à usina de asfalto do Caju, o secretário afirmou que ela está com a licença ambiental em análise:
— Mas nós temos três outras usinas, a de Santa Cruz, Campo Grande e Jacarepaguá. Nós vamos resolver o problema, independentemente das circunstâncias.
Sobre a qualidade do material colocado para tapar buracos na cidade, Rubens Teixeira disse que, quando o asfalto é feito de forma ruim, o efeito ocorre ao longo do tempo:
— Essa quantidade de buracos existe por que, quando foi construído o asfalto original, a base ou sub-base foi mal feita. Isso é muito comum na cidade. Infelizmente é um problema histórico. A solução natural seria retirar o asfalto, reconstruir a base, a sub base e fazer tudo de novo. Só que fazer isso é caríssimo. Infelizmente, a solução que nós conseguimos fazer factível é ir remediando o problema tapando buracos e fazendo a solução dos problemas pontuais.
O secretário garantiu que, mesmo com a redução dos contratos e com menos dinheiro, vai trabalhar para tapar todos os buracos da cidade.
— Nós vamos batalhar por isso. Infelizmente, o desperdício de recursos públicos é uma situação comum e antiga no Brasil, e cabe a nós sermos eficientes com recursos que temos. Nós gestores públicos temos que ser capazes de atender às demandas da sociedade com recursos que temos. Não adianta nós colocarmos a culpa nos recursos nem na sociedade. Vamos batalhar muito e acreditamos que vamos vencer essa guerra — afirmou.
Para o presidente da Associação de Engenharia do Rio, Luís Fernando Santos Reis, a redução dos contratos não vai impactar na qualidade dos serviços, mas no volume.
— A redução de 25% foi uma obrigação que o prefeito assumiu em razão do rombo, como já disse o secretário, deixado pelo governo passado. Vai impactar? Vai. Porque a redução é no tamanho dos serviços a serem executados, e não na qualidade. A qualidade, as empresas manterão sempre as mesmas e a melhor possível, dentro das especificações definidas. Quem define a qualidade do serviço é a especificação que é feita pela prefeitura dentro do sistema de controle de obras, de custos de obras e serviços de engenharia, que regulam o preço. Então é feito dentro desse preço da melhor forma possível. Agora quando reduz 27%, ele vai fazer menos 27% de serviço. Esse é o problema que a gente vai enfrentar.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Guito Moreto – 13/03/2017 / Agência O Globo