A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) convocou para quarta-feira uma reunião extraordinária com os presidentes das agremiações da entidade para decidir sobre o pedido da Mocidade Independente de Padre Miguel, que quer dividir o título do carnaval com a Portela. A plenária foi convocada pelo presidente da Liesa, Jorge Castanheira, na última sexta-feira. Apesar de não querer emitir comunicado oficial sobre o assunto, a entidade deve bater o martelo declarando as duas escolas campeãs, conforme antecipou a coluna “Gente boa”, anteontem. A decisão deve pôr fim à polêmica envolvendo a escola de Padre Miguel, que havia perdido um décimo devido à falta de um destaque, o que foi considerado injusto.
O presidente da Portela, Luís Carlos Magalhães, disse que só falará depois do “resultado final”:
— A decisão é da nossa diretoria (referindo-se à Liesa). Vamos esperar o resultado.
Anteontem, a Portela comemorou a vitória com uma feijoada, em Madureira, quando foi exibida a taça de 1º lugar e apresentado o novo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Lucinha Nobre.
Na Mocidade, o assunto também é tratado com cautela. A escola não pretende se pronunciar até a posição oficial da Liesa.
MATERIAL EM QUE JURADO SE BASEOU ESTAVA DESATUALIZADO
O impasse em torno do resultado do carnaval esquentou quando, no último dia 23, a Mocidade solicitou a divisão do título para, segundo a escola de Padre Miguel, tentar solucionar o erro de um jurado. Para a agremiação, que ficou com o vice-campeonato, a nota do julgador Valmir Aleixo foi injusta e impediu que ela vencesse a disputa. Aleixo teria feito o julgamento do abre-alas se baseando nas informações da primeira edição do roteiro do desfile, em que haveria a participação de um destaque num determinado trecho da apresentação. Mas, numa segunda edição do material, que não foi recebida por Aleixo, houve a retirada do destaque do enredo.
O resultado foi que Aleixo subtraiu um décimo em sua nota, sob o argumento de que a Mocidade “não apresentou o destaque de chão” (…)“o Esplendor dos Sete Mares, que executa função narrativa dentro do enredo, comprometendo assim sua leitura”, justificou o jurado. A própria Liesa reconheceu que esse destaque só existiu na primeira versão do abre-alas, em que ficam registrados todas as fantasias e as alegorias da escola. Portanto, teria havido uma falha na distribuição do roteiro do desfile que ajuda o júri a acompanhar o espetáculo e a votar de acordo com as regras da Liesa.
MIL E UMA NOITES
A Mocidade levou à Marquês de Sapucaí o enredo “As mil e uma noites de uma ‘Mocidade’ pra lá de Marrakesh”. O desfile foi uma homenagem ao Marrocos e conquistou o vice-campeonato com um total de 269,8 pontos. A agremiação ficou apenas um décimo atrás da campeã, Portela, que somou 269,9. Um dos momentos mais elogiados da apresentação foi uma cena de ilusionismo em que um destaque, fantasiado de Aladim, supostamente voou sobre a Sapucaí. Na verdade, o componente foi substituído por uma réplica em madeira que foi transportada por um aeromodelo.
Se o julgador Valmir Aleixo tivesse dado nota 10 para a Mocidade, ela empataria com a escola de Madureira. No desempate, seria a campeã do carnaval pelo quesito comissão de frente, em que a Portela perdeu um décimo, somando 29,9 pontos. Nesse quesito de desempate, a escola de Padre Miguel teve nota máxima: 30 pontos.
O vice-presidente e porta-voz da Mocidade, Rodrigo Pacheco, está viajando e deve voltar hoje ao Rio para participar da reunião de quarta-feira, na Liesa.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Domingos Peixoto / Domingos Peixoto/27-02-2017