Para botar os blocos na rua num ano de crise econômica, os organizadores da folia tem buscado recursos por meio do crowdfunding (financiamento coletivo pela internet). Nove blocos cariocas já arrecadaram a quantia de R$ 15.275 até a manhã desta segunda-feira, segundo levantamento do GLOBO feito em três plataformas de crowdfunding (Benfeitoria, Catarse e Kickante). A meta, no entanto, é mais ambiciosa. Juntos, eles pretendem arrecadar R$ 85.592. Às vésperas do carnaval, no entanto, só alcançaram 18% do valor estipulado.
O Escravos da Mauá, que completa 25 carnavais no próximo dia 19 na Zona Portuária, está prestes a bater a meta de R$ 10 mil no site da Benfeitoria. Até o momento, já arrecadou R$ 9.195. Um dos fundadores e organizadores do bloco, Ricardo Sarmento Costa disse que o crowdfunding é uma nova maneira de buscar recursos em substituição ao tradicional patrocínio comercial.
— Foi uma escolha e reconheço que é uma decisão romântica. Queríamos ter uma experiência diferente. Nascemos com uma lógica de crowdfunding. Acho que a plataforma cria um pertencimento interessante por meio das doações. Cada um dando sua contribuição cria um processo bem autoral. A venda de camisetas foi o nosso primeiro crowdfunding não-digital, por assim dizer. Temos uma rede de 25 anos. Acho que vai ser bacana — comentou.
Há duas metas estipuladas na plataforma de financiamento coletivo para o Escravos da Mauá. A primeira de R$ 10 mil garante uma infraestrutura mínima para fazer o cortejo, com carro de som e o núcleo principal da bateria do Mestre Penha, que acompanha o bloco há mais de dez anos, além de dois ensaios com roda de samba no Largo de São Francisco da Prainha. Já a segunda, no valor de R$ 20 mil, é para fazer um desfile mais potente, com a inclusão de um carro-pipa, oficinas pré-carnavalescas, ventarolas, figurinos, controle de trânsito e um abre alas de pernas de pau.
O Marcha Nerd, que se apresenta no dia 26 na Praça Xavier de Brito, na Tijuca, já utilizou o crowdfunding nos últimos dois anos. Responsável pela produção e pelo financeiro do bloco, Rosana Cruz afirma, no entanto, que as doações pela plataforma serão ainda mais importante neste ano, pois houve a perda de um patrocinador.
— Não fazemos um megacarnaval, mas o custo é muito grande. Estamos no desespero. Se não conseguirmos bater a meta (de R$ 4 mil, mas até agora só conseguiram arrecadar R$ 200), vamos ter que tirar do próprio bolso. A gente investe em felicidade. Na nossa e de quem está ali. O desfile vai ter. Agora como, estamos vendo ainda — disse.
Consultora de projetos da Benfeitoria, Yasmin Youssef afirma que, desde dezembro, vem conversando com os integrantes dos blocos para explicar como funciona a plataforma.
— Ao contrário do ano passado, quando os blocos nos procuravam, fizemos agora um movimento de ir até os blocos. Fomos falando de bloco a bloco. A maioria deles estão pedindo financiamento para carro de som, para aumentar o bloco, para oferecer banheiro público. Os blocos vão sair de qualquer maneira, mas querem (por meio do crowndfunding) incrementar os desfiles, comprar mais instrumentos, financiar músicas. Há metas com valores diversos, mas percebemos que os blocos maiores estão tendo uma arrecadação maior do que os menores — contou.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Analice Paron / Agência O Globo