Todo domingo, à sombra de uma amendoeira na Rua Santa Luz, em Vista Alegre, Zona Norte do Rio, quem volta da feira aproveita para colocar as sacolas cheias de verduras no chão e descansar. Em dias de sol, a única árvore da rua, em frente à casa da pesquisadora da UFRJ Vera Ruffato, é um pequeno oásis em meio ao concreto. Ao ver os quintais da vizinhança perderem o pouco do verde que restava, Vera iniciou uma pesquisa para mapear as áreas residenciais com vegetação na cidade. O estudo revelou que apenas 11,4% da área estudada, distribuída por 79 bairros, têm árvores e que 2,47% contam com cobertura rasteira, como gramados.
O levantamento abrange 203 quilômetros quadrados do subúrbio, onde moram 38% dos habitantes do Rio, cerca de 2,4 milhões de pessoas. O retrato das áreas verdes foi apresentado como tema da tese de doutorado de Vera, no Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (Ivig) da Coppe/UFRJ. A quantidade de árvores nas calçadas e dentro dos quintais identificada pela pesquisadora representa cerca de 40% da área verde mapeada pela prefeitura na região.
— Há cerca de sete anos, quando eu estagiava na Secretaria de Meio Ambiente, estava sendo discutido o plano diretor da cidade. Para essas áreas, a política adotada foi de adensamento urbano. Era quase cultural ter uma árvore em casa, mas com o aumento do preço do metro quadrado e as medidas do governo está havendo uma perda de arborização — explica Vera.
Como os órgãos da prefeitura consideram para planejamento ambiental apenas as regiões acima de um hectare, as árvores domésticas são ignoradas. No entanto, de acordo com os resultados apresentados por Vera, em bairros como Anchieta, Inhaúma, Irajá, Ramos e Vigário Geral a cobertura arbórea em quintais é maior que a estimativa municipal de árvores na região.
— Quando se fala em florestas urbanas deve-se incluir tudo, inclusive os quintais e as árvores nas ruas. No Rio, se ignora essas pequenas áreas no planejamento — comenta a pesquisadora.
IPTU DIFERENTE
Duas das propostas de Vera, o IPTU Verde e a criação de viveiros municipais de mudas, estão em processo para sair do papel. No dia 1º de janeiro, o prefeito Marcelo Crivella estipulou o prazo de 180 dias para que a Secretaria de Conservação e Meio Ambiente apresente um plano para a criação de viveiros em Campo Grande e Guaratiba. A ideia é ampliar a área arborizada da cidade em 300 hectares até o fim de 2019.
Em outro decreto, a prefeitura dá o prazo de 120 dias para que a secretaria monte um plano para instituir o IPTU Verde na cidade, com descontos no pagamento do imposto para quem tiver área verdes preservadas.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta junior