Longe do convencional, mas próxima do desejado. É assim que pode ser descrita a família de Alice, de 1 ano e 2 meses, que nasceu com microcefalia e foi adotada pela enfermeira Luciana Vilella, de 41 anos, e pelo marido, o biólogo Thiago de Paiva, de 36. Nesta terça-feira, eles participaram do lançamento do projeto “O Ideal é real – Adoções necessárias”, da Associação de Magistrados do Estado do Rio (Amaerj), que pretende ajudar crianças mais velhas, doentes e com irmãos a encontrarem um novo lar.
Luciana, casada há nove anos com Thiago, já perdeu quatro gestações, sendo uma de gêmeos. Ao conhecer Alice, o casal entendeu que ser pai e mãe não é um processo puramente biológico. E, por isso, decidiu entrar com o processo de adoção da menina.
Num primeiro momento, conta Luciana, eles entraram na fila para adotar uma criança de, no máximo, 5 anos. A fila para esta faixa etária, no entanto, é considerada a maior do sistema, por ser o perfil idealizado pela maioria das 38.433 pessoas aptas para a adoção no Brasil.
– Participamos de diversas reuniões, ao longo de mais de um ano. Já não estávamos mais aguentando esperar. Decidi conversar com a assistente social, até para saber em que fase estava o meu processo. Neste dia, ela me explicou que as filas menores são para adolescentes ou crianças não saudáveis. Então, descobrimos a Alice – contou Luciana, uma mãe orgulhosa e feliz.
A criança está com a família há quatro meses. Desde então, conta o pai, é só alegria.
– Nós já vivemos tantas experiências com ela. Tem a fisionomia que muda, ela ganha peso. É tanta coisa, que parece que ela está conosco há muito mais tempo – disse Thiago, ao lado do filho de 13 anos, de seu primeiro casamento.
De acordo com um levantamento do diretor de Direitos Humanos e Proteção Integral da Amaerj, juiz Sérgio Luiz Ribeiro, se 18,68% das pessoas aptas para a adoção mudarem o perfil de escolha, as filas tenderiam a diminuir consideravelmente:
– Essa família é um exemplo de doação, de dedicação e de amor. Nós aqui lidamos com uma matéria imponderável que é o amor, e é por isso que a gente precisa propiciar esses encontros. São exemplos como esse que vamos levar para os grupos de apoio, pois são inspiradores. Replicar os exemplos inspira outras famílias a seguirem pelo mesmo caminho.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Agência O Globo