Mostra reúne imagens de Pierre Verger sobre cotidiano carioca nas décadas de 40 e 50 Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mostra-reune-imagens-de-pierre-verger-sobre-cotidiano-carioca-nas-decadas-de-40-50-16548685#ixzz3eYXQSRqF © 1996 – 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Apinhados num bonde com o letreiro “Cascadura”, foliões brincam o carnaval vestidos de mulher, enquanto um deles, na dianteira, contempla a paisagem tristonho. Do alto de um morro em Copacabana, uma mulher com a lata d’água na cabeça afaga um bebê no colo de sua mãe. Esses e outros registros, que mostram um Rio bem diferente dos dias de hoje, podem ser vistos na exposição “O Rio de Pierre Fatumbi Verger”, um recorte das décadas de 40 e 50, em cartaz na Aliança Francesa de Botafogo, como parte das homenagens pelos 450 anos do Rio.

Dividida em três núcleos (carnaval, cidade e espiritualidade), a mostra reúne 15 imagens do fotógrafo e etnólogo francês que se encantou pela cultura brasileira e, desde sua primeira passagem pelo Rio, em 1940, captou o cotidiano, as festas, as praias e os morros com um viés humanista.

– Contemplar as fotografias de Verger, de mais de meio século atrás nos ajuda a compreender melhor o Rio que temos hoje. Principalmente nesse momento em que a cidade se pensa e se “re-conhece” – pontua o o curador da mostra, Milton Guran, diretor do FotoRio.

Fascinado pelas paisagens deslumbrantes e o cotidiano carioca, Verger fez cliques do Rio que circularam não só na revista “O Cruzeiro”, mas também na imprensa internacional, atraindo os olhares de todo o mundo para a cidade.

– Verger ajudou a revelar o Brasil aos próprios brasileiros, inclusive o Rio e a Bahia, num momento em que não estávamos tão interessados na nossa cultura – avalia Pedro Afonso Vasquez, fotógrafo, pesquisador e autor do livro “Fotografia escrita”.

As imagens da exposição, em papel algodão, foram cedidas pelo Museu de Arte do Rio (MAR), dono do acervo.

– Os registros de Verger são documentais e muito relevantes para nossa história. É interessante notar que não é nada caricato, exótico, mas sim de permanente proximidade com o outro – diz Sérgio Burgi, coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles.

O francês viveu por 50 anos na cidade de Salvador, onde criou a Fundação Pierre Verger. Faleceu em 1996. A mostra fica em cartaz até 7 de julho na Aliança Francesa de Botafogo (Rua Muniz Barreto, 746). A entrada é franca.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior