A inauguração do hoje septuagenário Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, o mais antigo do Brasil, foi um sucesso na então capital da República. No dia 18 de março de 1945, milhares de visitantes lotaram o espaço aberto ao público pelo prefeito Henrique Dodsworth. Todos atraídos pela diversidade dos animais. Entre os novos moradores do Zoo carioca havia 40 mamíferos e mais de mil aves, número considerado o maior no mundo na época, algumas delas raras.
“Onda sobre onda, em verdadeira avalanche, calculada em mais de cem mil pessoas, assaltou os portões do novo zoo da cidade na ânsia de admirar a sua coleção de aves e animais que ali se encontra”, noticiava O GLOBO no dia seguinte. Horas após a abertura dos portões, a Quinta da Boa Vista, no tradicional bairro de São Cristóvão, estava intransitável. Antiga residência da família imperial brasileira, a Quinta é a sede, até hoje, do Museu Nacional, importante centro de pesquisa científica do país.
Curioso é que o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro já tinha tido dono antes. Em 16 de janeiro de 1888, o Barão de Drummond fundou, no bairro de Vila Isabel, na Zona Norte, aquele que seria o primeiro zoológico do Brasil. Apesar do sucesso, com o passar do tempo e a falta de apoio do governo, dificuldades financeiras fizeram com que o Barão criasse o famoso “jogo do bicho”. Por sinal, sua origem ingênua em nada lembra o envolvimento, nas últimas décadas, dos banqueiros do bicho com atividades criminosas. Na ocasião, moradores do bairro e visitantes da atração faziam apostas e ajudavam em sua manutenção. A medida não foi suficiente e, em 30 de setembro de 1940, o espaço e o direito sobre o nome foram vendidos à Prefeitura do Rio, e os animais, distribuídos pelo país.
Atualmente, o Zoo carioca, que recebe 1,5 milhão de visitantes por ano, também vem sofrendo com problemas financeiros e de manutenção. O Zoo já está há 22 anos sem passar por uma reforma: a última vez que houve melhorias foi em 1993. No início dos anos 80, a situação era de igual penúria. Em 20 de janeiro de 1980, O GLOBO noticiava que reformas estavam sendo feitas pela primeira vez desde 1947, quando tinha dois anos de existência. Na época, os hipopótamos Nanci e Jorginho eram as principais vítimas e sofriam com as péssimas condições de seus recintos. O famoso macaco Tião também se beneficiaria da boa notícia, apesar de seu mau humor característico.
Depois dos longos 33 anos sem reformas, a situação do zoológico melhorou, mas não houve continuidade. Primeiro, ele foi transformado em fundação em outubro de 1985, a fim de ter mais autonomia na administração e usar melhor seus recursos. Depois, em 22 de abril de 1988, uma nova medida tentou diminuir custos com alimentação dos animais para poder investir na infraestrutura do parque, vizinho histórico do presídio Evaristo de Moraes, chamado de Galpão da Quinta. Atualmente, para salvar o Zoo e melhorar a sua gestão, a prefeitura estuda fazer uma concessão ou uma parceria público-privada.
Fonte: O GLobo
FOto: Manoel Soares/12/01/1980 / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior