Fundada oficialmente numa faixa de terra entre o Pão de Açúcar e o Morro Cara de Cão pelo jovem Estácio de Sá, ao longo dos últimos 450 anos a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro expandiu-se muito além dos limites daquele pedaço da Zona Sul. Sofreu aterros, perdeu morros, ganhou vias e passou por uma série de transformações urbanísticas que dariam um belo roteiro de filme. E quem não perdeu a chance de contar esta história nas telas foi a mineira Juliana de Carvalho, da Bang Filmes & Produções. Com lançamento previsto para o segundo semestre, o documentário “São Sebastião do Rio de Janeiro – A formação de uma cidade” vai mostrar, por meio de depoimentos de personalidades, simulações em 3D, imagens antigas e outras feitas nos dias atuais, como o povoado surgiu e foi crescendo até se tornar a cidade partida – por muitos maciços – e de contrastes sociais dos dias de hoje.
– É uma viagem no tempo. Em uma hora e meia o público passeia pelos 450 anos e vê, através das imagens e dos depoimentos, como esta cidade se expande e evolui. Como na história do Rio há episódios riquíssimos, é muito fácil você se desviar do foco. Então, optamos pelo viés urbano – explica Juliana.
Este viés conduz o público por um passeio pelas ruas, com paradas estratégicas diante de prédios, monumentos, construções históricas e jardins públicos que marcaram o passado e ainda hoje compõem o cenário urbano.
– Existem mil maneiras de fazer este documentário, mas resolvemos contar as histórias das ruas, dos trens, dos bondes, das raízes do samba e dos marcos da arquitetura – enfatiza.
O ritmo do filme e o movimento das câmeras sugerem o ponto de vista de alguém que procura a alma encantadora da cidade.
– Usamos helicópteros, câmeras sobre carros e drones. Em alguns momentos, mostramos detalhes e tem-se a impressão de alguém contemplando, olhando por uma janela – diz Juliana, acrescentando que boa parte das filmagens foi feita ano passado, antes da Copa do Mundo.
Contemplação que é embalada por uma trilha sonora bem carioca, que inclui “Estácio, Holly Estácio”, de Luiz Melodia, “Favela”, interpretada por Francisco Alves, e “Sebastião”, com Gilberto Gil e Milton Nascimento, entre outras composições.
Para acentuar a relação entre cultura e urbanidade, foram convidados cariocas – por origem ou adoção – que revelam alguma faceta ou curiosidade sobre o Rio. Entre os 13 entrevistados estão o escritor Ruy Castro, o compositor Nei Lopes, o arquiteto Lauro Cavalcanti e o economista Sergio Besserman.
– A arqueóloga Tânia Lima, por exemplo, fala sobre o Cais do Valongo, o maior porto de recebimento de navios negreiros das Américas. Já o arquiteto Lauro Cavalcanti comenta um dos marcos da arquitetura modernista, o Palácio Gustavo Capanema.
Para ilustrar o passado, há fotos e trechos de filmes, obtidos nos arquivos de pelo menos 30 instituições de Brasil, França e Inglaterra. E uma tecnologia do presente tornará a viagem ainda mais interessante: foi criada uma maquete 3D, que ilustra a evolução da ocupação do Rio.
Fonte: O GLobo
Foto: Bárbara Lopes
Postado por: Raul Motta Junior