Cabelos coloridos finalmente caem nas graças das meninas

Galaxy, mermaid e rainbow são palavras que estão literalmente na cabeça das meninas. É que, atualmente, elas viraram cores para cabelos “fantasia”, aquelas madeixas coloridas que conquistaram, principalmente, o universo feminino. Depois de alguns anos, a moda finalmente pegou no Rio, não só com a mistura de tonalidades, mas também com cores não-convencionais, como rosa, laranja, azul e verde.

A publicitária e confeiteira Carol Lucchetti colore os cabelos há mais de um ano e meio. Depois de optar pelo roxo, ela resolveu partir para o galaxy, uma mistura de azul, turquesa, roxo e rosa. Carol, que é loura, mas já tingiu de preto, de berinjela e teve mechas coloridas, conta que sempre teve vontade de ter o cabelo todo colorido. Está satisfeita com o resultado e fica feliz que mais gente tenha optado pela pigmentação.

— Eu sempre amei cabelo colorido, mas quando era mais nova a questão era que minha mãe não me deixava pintar. Agora eu estou esperando o galaxy desbotar para pintar de outra cor. As pessoas estão pintando mais. Já fiz amizade com meninas só por conta do cabelo colorido, mas também sofri preconceito, principalmente no meu prédio. Tem gente que acha que eu sou transgressora, que vou fazer festas dia de semana até altas horas. Até parece — conta Carol, sorrindo.

Os cabelos coloridos exigem alguns cuidados. O cabeleireiro e maquiador Fernando Torquatto, do FT Studio, recomenda que a primeira pintura seja feita por um especialista, já que requer produtos específicos para que as madeixas não fiquem desidratadas. Ele explica que isso pode acontecer porque os pigmentos coloridos não pegam em cores escuras, sendo necessário atingir uma tonalidade quase branca a partir da descoloração, processo agressivo que costuma deixar os fios mais secos. Fios finos, por exemplo, descolorem mais facilmente do que os grossos. Só é possível pigmentar depois que a base está bem clara.

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— Seja qual for o efeito que a pessoa busca, tem que haver uma descoloração para conseguir abrir bastante o tom do cabelo para, em seguida, a pigmentação entrar. Como a descoloração é um processo bem agressivo e demorado, é melhor fazer com um profissional, que vai usar aditivos para que o cabelo não fique tão ressecado e que tem a técnica para não manchar os fios — explica Torquatto.

Carol, Amanda e Binca já fizeram amizades por conta dos cabelos – Analice Paron / Agência O Globo
Depois de pintado, o profissional afirma que é possível fazer a manutenção em casa. Basta colocar os pigmentos da cor desejada em um creme de hidratação até que ele fique colorido. Geralmente, três colheres de sopa são suficientes. Em 40 minutos, o cabelo fica colorido e hidratado. Vale a pena fazer um teste antes, nas pontas, e depois lavar o cabelo para ver como vai ficar.

— A cor que as pessoas veem na máscara fica três vezes mais fraca no cabelo. Então é bom que a máscara fique bem forte, bem colorida, já que o creme enfraquece o poder de pigmentação — explica Torquatto.

É assim que a estudante de Design Bianca Alegria faz. Ela começou a colorir os cabelos no salão, aos 14 anos. Agora, já realiza em casa todo o procedimento. Com uma mecha rosa choque e o restante do cabelo azul, ela conta que pinta as madeixas quando está entediada. Gosta da mudança.

— O tédio vai aumentando ao longo do dia e eu vou lá e pinto. Sou eu mesma que faço a descoloração também. Gosto muito das cores quentes, que duram mais. Adoro mexer no cabelo. A última vez cortei na sala de aula e depois pintei — explica Bianca, que só não teve o cabelo nas cores amarela e vermelha.

A cantora e atriz Amanda Döring também entrou para o time das que pintam em casa. Depois de participar de uma peça de teatro em que tinha que usar perucas coloridas, ela encarnou na personagem e resolveu pintar de rosa no estilo luzes californianas, em que as pontas são mais fortes do que o restante do cabelo. No entanto, a primeira vez que radicalizou foi em um salão de beleza, pois temia que o procedimento não desse certo.

— Estava trabalhando em São Paulo e fui a um salão especializado em cor fantasia. Quando a peça terminou e eu voltei para o Rio, passei a pintar sozinha. Mas isso porque meu cabelo já estava descolorido. Acho que essa parte da descoloração é a mais penosa, então é melhor pagar para um profissional fazer e depois manter por conta própria — afirma Amanda, que não pensa em pintar de outra cor e se diz “bem fixada no rosa”.

Carol Castro optou pelo hidden hair, colorido por Jessica Dannemann, do TP Beauty Lounge – Divulgação
Para quem não tem coragem de ousar, há a opção do hidden hair. Ou seja, colorir aquela parte das madeixas que fica escondida, próxima à nuca, mas que aparece em um penteado ou quando o cabelo está preso. Especialista em coloração fantasia, Jessica Dannemann, do TP Beauty Lounge, que pintou recentemente os cabelos da atriz Carol Castro, conta que a técnica é uma alternativa para quem tem um emprego mais tradicional e não pode colorir tudo de uma vez. Entretanto, ela adverte: quem pinta um pouquinho vai pedir bis.

— Na técnica do hidden hair, o mais importante é escolher uma parte escondida, mas que dará um efeito legal. Pode ser uma mecha ou a parte toda debaixo do cabelo. É uma alternativa que está pegando e as pessoas ficam querendo pintar mais. Há algum tempo, as pessoas achavam que quem tinha cabelo colorido queria chamar a atenção. Agora, elas estão começando a perceber que a cor do cabelo é uma manifestação da personalidade da pessoa — comenta Jessica.

Um cabelo colorido pode durar de um a quatro meses. Tudo depende de como são os cuidados posteriores à pigmentação. A regra básica é evitar piscina, praia, chapinha e baby liss. Xampu sem sulfato prolonga a cor e deixa mais vibrante, mas xampu para limpeza profunda ou para criança contribui para a cor desbotar mais rápido. Lembre-se também de não lavar todos os dias.

Fonte: O GLobo
Foto: Analice Paron / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior