Durante semanas, o carioca conviveu com arenas e outras estruturas montadas em vias públicas para a realização dos Jogos. A Paralimpíada, que usou parte dos equipamentos, terminou no dia 18, mas o cenário, por enquanto, quase não mudou na cidade anfitriã. O serviço de desmontagem ainda está em andamento, mesmo em instalações utilizadas somente na Olimpíada, como a gigantesca arena do Vôlei de Praia, no Leme. Os vestígios das competições ainda estão na Praia do Pontal (Recreio dos Bandeirantes), no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas e do Parque do Flamengo.
MORADOR TEM ROTINA AFETADA
Presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães diz que a demora na desmontagem interfere na rotina de frequentadores e moradores das áreas que já foram olímpicas:
— Quando as estruturas começaram a ser erguidas, elas mobilizaram muita gente. Não se vê esse mesmo empenho agora. E isso gera desconforto entre os frequentadores da orla. As arquibancadas montadas entre as ruas Bolívar e Joaquim Nabuco (como parte da infraestrutura para as provas de triatlo, maratona aquática e ciclismo de estrada) sequer começaram a ser retiradas.
Horácio observa que, em alguns casos, é até difícil avaliar se o ritmo da desmontagem poderia ou não ser acelerado. É o caso, por exemplo, da megaloja erguida na orla para a venda de produtos licenciados dos Jogos. A cobertura de lona permanece no local:
— O público não pode mais entrar no local. Não dá para saber a etapa da desmontagem.
O economista Rodrigo de Moura, morador do Recreio, também reclama da demora nos trabalhos:
— Na Olimpíada, tudo bem. Mas agora, sem uso, esses equipamentos viraram uma agressão à paisagem da Praia do Pontal. A desmontagem deveria ser realizada a todo vapor.
Procurado, o Comitê Organizador Rio 2016 não divulgou ontem um cronograma detalhado de desmontagem. Apenas prometeu que, na semana que vem, deve ser concluída a retirada da arena do Leme. A entidade estimou que até meados de outubro as áreas públicas deverão estar liberadas. Mas ressaltou que alguns serviços podem ultrapassar este prazo, em terrenos públicos que foram cedidos para a organização. A entidade explicou que é obrigada a devolver esses locais do mesmo jeito que os recebeu. Segundo o Comitê Rio 2016, mesmo após a desmontagem, os espaços só podem ser liberados após uma vistoria prévia, por parte dos órgãos públicos.
Na Lagoa, a desmontagem das instalações provisórias para as provas de remo e canoagem começou. No trecho do Baixo Bebê, entre as avenidas Borges de Medeiros e Epitácio Pessoa, as estruturas foram removidas. Parte do estacionamento do Parque dos Patins foi liberado, permitindo que a base dos agentes do programa Lagoa Presente voltasse ao local. A prefeitura prevê liberar todo o parque até sexta-feira.
— Realmente, o comitê ainda tem muito o que fazer. Mas, pelo menos no trecho do Parque dos Patins, a promessa está sendo cumprida — disse o presidente da Associação de Moradores do Jardim Botânico, Mauro Pacanowski.
BOTAFOGO REASSUMIU O ENGENHÃO
Em alguns locais fechados, também há muito o que fazer. A Riotur informou, por exemplo, que as desmontagens no Sambódromo (recebeu provas de tiro com arco e maratona) devem terminar até o fim de outubro. Segundo o órgão, o processo de desmontagem não vai interferir nos preparativos da Marquês de Sapucaí para o carnaval, que também depende da instalação de estruturas móveis. O cronograma de ensaios técnicos das escolas de samba será mantido. No Maracanã, o processo deverá ser finalizado no mês que vem. Por sua vez, o Botafogo reassumiu o Estádio Olímpico, no Engenho de Dentro, na semana passada. Mas os trabalhos do Comitê Organizador ainda não terminaram no local.
Fonte: O Globo
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Postado por: Raul Motta Junior