Centro no Morro da Chacrinha torna-se celeiro de atletas de badminton

No interior da comunidade da Chacrinha, entre os bairros do Tanque e da Praça Seca, um imponente ginásio de 1.500m² chama a atenção em meio às demais construções. É ali que funciona há 18 anos a sede do Miratus, um centro esportivo voltado para a prática do badminton. O local abriga quatro quadras específicas para o esporte e se tornou um celeiro de talentos vitoriosos da modalidade, garantindo inclusão de mais de 200 crianças e adolescentes matriculados.

À frente do projeto está Sebastião de Oliveira, diretor-técnico do local. Ex-interno da extinta Funabem, Oliveira empilhou, literalmente, os primeiros tijolos do ginásio no terreno íngreme da comunidade, no fim da década de 1990.

— Ainda não conhecia o esporte naquela época. Eu queria mesmo era erguer um local onde pudesse reunir crianças da comunidade em atividades que as levassem para o caminho do bem — explica Oliveira, que ouviu falar pela primeira vez da modalidade esportiva por meio de um amigo, em 1996, que o apresentou os acessórios básicos: raquete e peteca.

Foi das quadras da Miratus que vieram os jovens Lohaynny Vicente e Ygor Coelho (filho de Sebastião), que fizeram história ao se tornarem os primeiros atletas brasileiros a disputar competições de badminton em uma Olimpíada — os jovens participaram em agosto de jogos da Rio-2016. Mesmo não gozando de uma expressiva popularidade no país, o esporte vem atraindo cada vez mais adeptos. A estudante Marina Ramos, de 13 anos, nunca tinha ouvido falar no esporte até pisar na Miratus pela primeira vez, há cerca de três anos. Inspirada na dupla olímpica, ela planeja um futuro no badminton.

— Eu treino cinco vezes por semana. Quero me aperfeiçoar cada vez mais para chegar longe. Pretendo ser campeã olímpica e, depois disso, ir além. Além do máximo — planeja a jovem, que é moradora da Chacrinha.

Este ano, a trajetória do projeto social — que se mantém através de doações de empresas — ganhou as telas de cinema ao virar tema do documentário “Não deixe a peteca cair”, das cineastas Lili Fialho e Katia Lund. A película se aprofunda na história de pessoas que tiveram suas vidas transformadas pela iniciativa. Além do programa esportivo, as atividades realizadas no Miratus incluem acompanhamento pedagógico, aulas de inglês e cursos de gastronomia e música.

Fonte: O Globo
Foto: Zeca Gonçalves / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior