Ginastas do Canto do Rio têm vaga em disputa nacional

Alcançar o alto rendimento na ginástica rítmica depende de, no mínimo, dois talentos em potencial: flexibilidade nata e agilidade para lidar com aparelhos manuais. A força necessária para executar os movimentos até se adquire com a prática, acreditam as treinadoras Wanessa Dornellas e Gisele Matta, responsáveis pelas equipes do clube Canto do Rio FC, no Centro de Niterói. A dupla se desdobra em elogios ao falar de suas pupilas. Duas, em especial, ganharam capítulo à parte pelo excelente desempenho no Torneio Regional Sudeste de Ginástica Rítmica, realizado em São Paulo, no fim de agosto. Eram apenas quatro vagas, por categoria, destinadas à região Sudeste. Anna Beatriz Tavares, de 11 anos, e Thaís Barbosa, de 14, comemoram a classificação para o campeonato nacional da modalidade, entre os dias 18 e 23 de outubro, em Porto Alegre. Além das duas classificações, o Canto do Rio tem, na categoria adulto, as ginastas Tarssila Mikaelle (estreante) e Gabriele Souza (nível 1) como as primeiras reservas da região para o próximo evento.

Após conquistar o ouro na modalidade mãos livres e bronze no aparelho arco, a ginasta Anna Beatriz Tavares, que compete pela categoria infantil (nível 1), ficou em segundo lugar na classificação geral do torneio.

— Ela é um geniozinho. Faz coisas que nem as mais velhas fazem e interpreta as músicas do treino muito bem. Aprende qualquer exercício novo com facilidade e ainda tem uma flexibilidade incrível desde que entrou na equipe, há três anos, na categoria mirim. No ano seguinte, a Anna Beatriz já era campeã estadual — conta Wanessa.

Thaís ficou feliz com a classificação, “mesmo apertadinha, no 4º lugar” e vislumbra novas medalhas:

— No início, eu já tinha conseguido uma medalha para a bola, e fiquei nervosa porque, como não fui tão bem no arco (fiquei em 6º lugar), tive medo de não conseguir a classificação. Mas deu certo e ganhei esta nova oportunidade para fazer uma série melhor — diz a ginasta.

Ela ingressou no time em janeiro deste ano, em uma seleção anual feita pelo clube para atrair novos atletas. Esguia, magra e flexível, a menina de pernas finas e longas chama a atenção nas performances.

— Ela gosta muito de treinar e se empenha bastante. Nosso trabalho com ela, inicialmente, foi aperfeiçoar o manuseio de aparelhos. Ela se supera a cada competição — diz Wanessa.

Mas o conceito e a base técnica da ginástica, frisa, a atleta já dominava bem, graças ao seu impulso autodidata.

— Eu faço dança desde pequenininha e conheci a ginástica rítmica no meu condomínio, fazendo aula experimental. Já sabia fazer tudo porque sempre treinei em casa, com vídeos a que eu assistia na internet. Cheguei em uma turma, em outra escola, já sabendo fazer ponte e outros movimentos. Com o tempo, vi que já estava com um nível avançado e procurei um lugar que tivesse foco em grandes competições mundiais; assim cheguei à federação — explica Thaís, que se inspira no estilo das ginastas russas.

As atletas treinam, no mínimo, três vezes por semana, e algumas delas complementam o preparo físico com aulas de balé clássico.

— Elas se dedicam para ser campeãs de alguma coisa, mesmo que seja de uma disputa básica. Fico orgulhosíssima de ver esse trabalho dando certo — acredita Wanessa.

As perspectivas para a modalidade estão melhorando, acrescenta Gisele:

— A quantidade de horas que a gente treina (4h por dia) ainda não é o que precisávamos. Falta um centro de treinamento de ginástica rítmica para que pudéssemos chegar ao nível de visibilidade da ginástica artística, que recebe os maiores patrocínios, e de outros esportes que são mais valorizados, como o futebol e o vôlei. Mesmo assim, na Olimpíada, o maior público na arquibancada foi o da ginástica rítmica. E isso já é um grande passo.

Fonte: O Globo
Foto: Luiz Ackermann / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior