Sucesso do Reserva Cultural planejar triplicar número de visitantes

O cartão de visitas, só para convidados, em agosto, já foi notícia, com a pré-estreia de “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, estrelado por Sonia Braga. No último dia 2, o público em geral pôde conhecer por dentro o complexo de cinemas projetado por Oscar Niemeyer em São Domingos. Conheceu e aprovou. O espaço tem recebido entre 600 a 800 pessoas diariamente, segundo os administradores. No feriado da Independência, esse número pulou para mil. A meta, segundo Jean Thomas Bernardini, sócio do Reserva Cultural, empresa que assumiu a administração do espaço, é triplicar o volume de visitantes até o fim do ano.

Bernardini, francês radicado no Brasil há quase quatro décadas e que se consagrou como distribuidor de filmes independentes, diz que os planos para conquistar de vez a cidade incluem levar para o local estreias de filmes — como a realizada no último domingo, com o longa “O vale do amor”, que contou com a presença do ator francês Gérard Depardieu — e receber uma exposição por mês, como a mostra fotográfica de Renatto Moreth, prevista para o início de outubro. Ele diz ainda que espera oferecer uma programação variada, com eventos como o circuito gastronômico Rio Je T’aime, que desembarca no Reserva amanhã; e o Festival de Cinema do Rio, de 6 a 13 de outubro. E como defende que o espaço seja voltado para todas as idades, o administrador lembra que haverá atrações para crianças, como o piquenique infantil com animação que deverá acontecer uma vez por mês no gramado.

O complexo tem hoje cinco lojas, um espaço voltado para exposições e ainda a bombonière do cinema. Dos cinco estabelecimentos, localizados no piso inferior, já abriram as portas o Bistrô Reserva Cultural e a Blooks Livraria. Até o fim do mês serão inaugurados o restaurante Bizu Bizu, a Mística Pizzaria e um salão de programação infantil. Na parte superior, um espaço de convivência aberto permite ao visitante apreciar a Baía de Guanabara, a Ponte Rio-Niterói e o pôr do sol.

De acordo com Bernardini, a ideia é unir a vantagem do cinema de rua, que exibia filmes independentes, à segurança de um shopping. Proprietário da distribuidora Imovision, o francês revela que escolheu Niterói para implantar o segundo espaço Reserva Cultural — o primeiro existe há nove anos em São Paulo — devido ao grande interesse do niteroiense por filmes de arte.

— Niterói tinha três cinemas de rua para os quais eu costumava distribuir filmes independentes. Sei que o público gostava muito desse tipo de cinema e que estava sentindo falta daquela programação. Mas a intenção é ser muito mais que um cinema. Como o próprio nome já diz, o objetivo é se tornar uma reserva cultural, um espaço agradável para passar o dia com a família. E não só para niteroienses. Queremos que o espaço conquiste moradores de cidades vizinhas e turistas nacionais e internacionais — diz.

A psicóloga Iara Lopes é uma das que foram fisgadas pela programação. Depois de apenas três semanas da abertura, ela diz que já virou frequentadora assídua.

— Eu estou amando o lugar. Hoje vim com meu neto, mas já vim em outras oportunidades sozinha, encontro amigos. Eu ia sempre a Botafogo para assistir a filmes de arte e meu neto frequentava o Cine Arte UFF, mas infelizmente lá só tem uma sala. Agora não preciso mais atravessar a Ponte — comemora.

ESPAÇO EM FASE DE ADAPTAÇÃO

As cinco salas de cinema já estão funcionando com uma programação de filmes de arte independente variada, que muda a cada semana. No total, as salas têm recebido uma média diária de 300 a 400 pessoas, metade do público que tem ido ao local. Os valores têm sido considerados altos por alguns dos frequentadores. O ingresso para as salas de cinema, nos fins de semana, custa R$ 31 (no Cinemark, por exemplo, custa de R$ 24 a R$ 31, conforme o horário, exceto sessões 3-D).

— Achei o ingresso um pouco caro, levando em conta que sempre comemos algo e ainda tem o estacionamento, que também não é barato — reclamou o professor Carlos Eduardo Prestes.

E apesar da aprovação do público, há quem ache que o espaço têm um longo caminho a percorrer. Alguns dos frequentadores que estiveram no complexo no fim de semana fizeram reclamações. Além das lojas que ainda vão abrir, a escada comum e a escada rolante para descer não estavam funcionando, assim como o elevador. Para compensar, os cadeirantes, que precisaram utilizar a famosa rampa de Niemeyer, receberam ingressos gratuitamente.

Maria Olívia, que é cadeirante, diz que não se importou com o contratempo e elogiou a sala de transmissão dos filmes:

— Eles se preocuparam em proporcionar uma boa experiência para o cadeirante, com assentos longe da tela. E a qualidade da imagem e do som é boa.

Fonte: O Globo
Foto: Priscilla Aguiar Litwak / Priscilla Aguiar Litwak
Postado por: Raul Motta Junior