O melhor do esporte estará diante de quem comprar as entradas para os Jogos. Mas não ter ingressos não significará ficar de fora da festa, nem perder alguns dos lances mais emocionantes da Olimpíada. Em nove modalidades, distribuídas por todos os dias de competição, o público poderá acompanhar as provas gratuitamente. Ruas, praias e calçadões vão virar arquibancadas para as disputas pelo ouro na maratona, na marcha atlética, no triatlo, na maratona aquática, nos ciclismos contrarrelógio e de estrada, no remo, na canoagem de velocidade e na vela. E já tem gente se preparando para assistir aos maiores atletas do mundo à moda bem carioca: no quiosque ou no bar, com cerveja, suco de fruta ou água de coco. Se as temperaturas subirem, até antes ou depois de um mergulho no mar.
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Para todos esses esportes ao ar livre, há lugares com ingressos pagos, como no Estádio de Remo da Lagoa e na chegada da maratona, no Sambódromo. Logo nos dois dias seguintes à cerimônia de abertura, no entanto, o ciclismo de estrada espalhará espectadores, de graça, por cartões-postais, da orla de Copacabana a Barra de Guaratiba. Em dois trechos — um pela Floresta da Tijuca, passando pela Vista Chinesa e pela Estrada das Canoas, e outro na região da Prainha e Grumari —, a ressalva é a necessidade de chegar, a pé ou de bicicleta, no mínimo uma hora antes da passagem dos atletas.
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— É o tempo necessário para uma série de medidas de segurança — explica Leonardo Maciel, diretor de Operações da Cidade da Empresa Olímpica Municipal. — A mesma regra vale para o circuito Grumari do ciclismo contrarrelógio (no dia 10 de agosto), com largada e chegada no Pontal
Nas competições de remo e canoagem de velocidade, as restrições serão ainda menores para assistir às disputas sem pagar nada. Elas poderão ser vistas em quase toda a margem da Lagoa. É bem verdade que, em alguns pontos, será atrás de grades, mas muito próximo das raias olímpicas. No Parque dos Patins, já há procura por reservas em quiosques em frente à área de disputas. E mesmo agora, conta o vendedor de coco Ailton Navarro, a posição privilegiada do lugar tem atraído turistas e cariocas que querem tirar fotos do treinamento dos atletas.
— Dá para ver quase tudo. Quando os Jogos começarem para valer, acredito que o movimento só vá aumentar — diz ele.
No outro lado da Lagoa, perto do Parque da Catacumba, lanchas da Capitania dos Portos vão vigiar para que ninguém ultrapasse a linha de segurança. Mas será possível até andar de pedalinho enquanto as provas estiverem ocorrendo.
Já as competições de vela, mesmo que de mais longe, poderão ser acompanhadas do Aterro do Flamengo, da Urca e até do Pão de Açúcar.
MARATONA AQUÁTICA E TRIATLO EM COPACABANA
Ainda na Zona Sul, Copacabana será outro palco de brigas pelo pódio às vistas de espectadores sem ingresso. Primeiro, nos dias 15 e 16 de agosto, os nadadores da maratona aquática caem no mar, num circuito próximo aos postos 5 e 6. No entorno das instalações olímpicas, o acesso será restrito, inclusive num trecho da faixa de areia. Mas, em direção ao Posto 4, a busca pelo ouro, braçada a braçada, poderá ser presenciada sem se desembolsar um centavo.
Também no bairro, o triatlo terá arquibancada na Avenida Atlântica, com assentos pagos, perto da chegada. Mas não faltarão pontos para ver de perto as disputas por posição e ultrapassagens, seja nos trechos de corrida, natação ou ciclismo. Os organizadores indicam áreas como as proximidades do Corte Cantagalo e a Avenida Atlântica, nas proximidades da Rua Santa Clara. Já o acesso à Rua Gastão Bahiana será controlado, mas ali os atletas também poderão ser vistos.
— Estou ansiosa para ver os atletas perto de casa — disse a carioca Helena Silveira. — Acho um barato as provas de rua. Fico imaginando os prédios da Atlântica, que vão se transformar em verdadeiros camarotes para ver os triatletas, que para mim parecem super-homens e mulheres.
Resistência máxima também será o que o público verá na marcha atlética, nas ruas do Recreio, próximo à Estrada do Pontal, e na maratona, que tomará parte da Zona Sul e do Centro. Neste último caso, depois de largarem do Sambódromo, os corredores percorrerão avenidas do centro financeiro, como a Presidente Vargas e a Rio Branco, cruzarão a nova Praça Mauá e darão uma volta no Museu do Amanhã, à beira da Baía de Guanabara. Em grande parte do trajeto, o público ficará bem perto dos competidores. Mas é num tradicional palco das corridas do Rio, o Aterro do Flamengo, que deverá se concentrar a maior parte dos espectadores.
Seja para lá ou qualquer outra disputa com acesso gratuito, os organizadores reforçam uma orientação: usar o transporte público para se deslocar pela cidade.
— São as provas com maior impacto no cotidiano do Rio. Algumas mudanças ainda podem ser feitas, dependendo do nível de segurança para as competições — diz Leonardo Maciel, ressaltando que, se houver algum risco, os acessos podem se tornar mais restritos. — Mas essas provas são o momento de confraternizar com a cidade.
Fonte: O Globo
Foto: Pablo Jacob / O Globo
Postado por: Raul Motta Junior