Passageiros enfrentam filas no Santos Dumont pelo terceiro dia seguido

E a cena se repete. Pelo terceiro dia consecutivo, quem chegava ao Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, entre a madrugada e início da manhã desta quarta-feira, encontrava grandes filas. Após recomendação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os passageiros começaram a chegar com pelo menos duas horas de antecedência ao terminal. No entanto, apesar do acordo firmado entre a Anac, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e a Infraero para que os portões de embarque fossem abertos mais cedo para dar início aos procedimentos de inspeção de passageiros e bagagens, a entrada só começou a ocorrer por volta das 5h. Já os guichês das companhias aéreas, ao contrário do que foi observado nesta terça-feira, iniciaram a operação, segundo passageiros, pouco depois das 4h.

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Em nota, a Infraero informou que está avaliando mudanças no horário de início dos procedimentos de inspeção para acesso à sala e portões de embarque, também com o objetivo de dar maior eficiência ao atendimento dos passageiros. Segundo o órgão, as operações de pouso e decolagem no Santos Dumont começam a partir das 6h, conforme previsto no licenciamento ambiental e operacional do aeroporto. Por essa razão, os canais de inspeção são abertos às 5h de modo a atender, com eficiência, a demanda do aeroporto. Com a nova resolução da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac),

Antes das 5h, havia filas em dois pisos do aeroporto. A situação era pior no segundo, onde ficam localizados os portões de embarque. No local, as filas chegaram a dar uma volta no andar. O bancário Geraldo dos Santos, de 60 anos, era um dos que aguardava na fila. Ele contou que chegou cerca de três horas antes de seu voo, marcado para as 7h10m, com destino a São Paulo, e fez o check-in pela internet para ganhar tempo. A medida, porém, não evitou o transtorno.

— Essa é a primeira vez que eu viajo depois dessas novas recomendações da Anac. Não sabia o que iria encontrar, então cheguei com antecedência. Não adiantou. Acho que se aumenta o tempo de espera, a estrutura também precisa aumentar proporcionalmente. Do jeito que está, vou evitar viajar durante a Olimpíada — disse ele.

Pouco mais à frente, estava o estudante de Relações Públicas Rodrigo dos Santos Maerz, de 22 anos. A caminho de São Paulo, onde vive, o jovem voltava para casa depois de visitar os avós, em Niterói. Com o voo agendado para as 6h25m, ele chegou ao aeroporto por volta das 4h. Rodrigo conta que, na ocasião, os guichês da companhia aérea pela qual viajaria ainda não estavam em funcionamento, o que ocorreu pouco tempo depois. Assim como o bancário, ele acredita que se os portões de embarque antecipassem a abertura, evitaria problemas.

— Quando cheguei, o balcão da Gol ainda estava fechado. E o embarque está desse jeito. Teria que abrir mais cedo para evitar a fila. E nem tem muita informação por aqui. Temos torcer para conseguir embarcar e viajar — afirmou o jovem.

Surpreso com o tamanho da fila, o analista de sistemas Eduardo Costa, de 47 anos, afirmou que a operação precisa ser melhorada.

Portões de embarque abriram por volta das 5h no Santos Dumont – Pedro Teixeira / Agência O Globo
— Cheguei às 4h40m para o voo de 5h40m para São Paulo. Estava um verdadeiro caos, fila para todos os lados, todo mundo correndo. Viajo há anos e nunca vi nada parecido. A impressão que dá é que não houve um plano de contingência. Encontrar uma fila deste tamanho quer dizer que alguma coisa não está funcionando — reclamou ele.

A advogada Rafaela Ferreira, de 31 anos, que esperava voo para Curitiba, contou que já havia fila do lado de fora do aeroporto, por volta das 4h. Apesar disso, ela, que estava acompanhada da sogra, do marido e da filha, relatou que não teve grandes problemas para realizar o check-in. A advogada utilizou a fila de prioridades para o embarque.

A enfermeira Raquel dos Santos, de 53 anos, também chegou ao aeroporto pouco às 3h40m. Ela conta que se distraiu e, pouco tempo depois, já havia filas.

— Chegamos cedo para não correr o risco de perder o voo para Santa Catarina, às 6h20m. Viemos antes para não correr o risco de perder o avião. Mas eu abaixei a cabeça e quando levantei já estava tudo cheio — brincou ela.

Fonte: O Globo
Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior