Um trem da Linha 4 do metrô (Barra-Zona Sul) percorreu nesta quarta-feira, pela primeira vez, com os trilhos energizados, a ponte estaiada que liga o Túnel do Morro do Focinho do Cavalo à estação do Jardim Oceânico, na Barra, em mais um teste do novo trecho. Apesar disso, a inauguração do serviço no dia 1º de agosto — inicialmente para atender a família olímpica e o público que tiver ingressos para o evento — ainda é incerta. Mesmo com a expectativa da chegada de recursos federais, a Secretaria estadual de Transportes informou que as obras correm risco de serem paralisadas por falta de verba.
Segundo a secretaria, não há como garantir o término dos trabalhos sem conhecer em detalhes como será feito o repasse dos recursos que faltam para concluir o projeto. Inicialmente, a verba prometida pela União se destina a investimentos em segurança, mas o estado poderá remanejar outros recursos do caixa para a obra. Apesar do clima de incerteza, o estado deu por concluídas as obras de mais uma estação, a do Jardim Oceânico, que será entregue oficialmente na quinta-feira.
Com cinco estações (Jardim Oceânico, São Conrado, Jardim de Alah, Antero de Quental e Nossa Senhora da Paz), o chamado trecho olímpico da Linha 4 precisa ainda de R$ 489 milhões para ser concluído. Desse total, os consórcios Linha 4-Sul e Rio-Barra, responsáveis pelas obras, já informaram que acumulam R$ 350 milhões em faturas por serviços prestados nessa etapa final de intervenções, que ainda não foram pagas.
Antes do anúncio do sinal verde do TCU, o secretário estadual de Transportes, Rodrigo Vieira, admitiu em entrevista ao “RJ-TV”, da Rede Globo, que a Linha 4 estava ameaçada. Uma das razões é que a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) não autorizou a liberação de um empréstimo de R$ 989 milhões para o projeto, porque o Estado do Rio ficou inadimplente com a União ao deixar de arcar com o pagamento de parcelas de um empréstimo obtido junto a instituições francesas. Os recursos seriam para concluir as obras do trecho olímpico e a estação Gávea, prevista para 2018.
Rodrigo Vieira afirmou ainda que, sem verba, as obras podem parar a qualquer momento. Isso porque pelo menos 340 empresas que prestam serviços para os consórcios estão sem receber
Por enquanto, nos canteiros, os operários não foram informados sobre uma eventual paralisação. Nesta quarta-feira, em Ipanema, foi dia de pagamento para quem trabalha na conclusão da estação da Praça Nossa Senhora da Paz. Um dos funcionários do consórcio contou que entre os colegas a expectativa é que os serviços não parem.
— O que sabemos é que muita gente será dispensada no início de julho. Mas o motivo é que as obras aqui estão no fim, e que a empresa não precisará mais de tantos operários — contou o funcionário.
Nesta quarta-feira, uma reportagem do “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo, revelou que as obras da Linha 4 custaram ao estado pelo menos 21 vezes o valor originalmente estimado, baseado em informações sobre as contas do governo de 2015, aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado. O projeto original, de 1998, no governo de Marcello Alencar, que previa um outro traçado, foi orçado em R$ 392 milhões. O atual custará quase R$ 10 bilhões.
Fonte: O Globo
Foto: Domingos Peixoto / Agência O Glob
Postado por: Raul Motta Junior