Os colegas de sala de aula de Thiago Benevides Costa, de 10 anos, no período em que estudou a história da cidade, em 2014, duvidaram quando ele disse que era parente do português Estácio de Sá. O garoto é um representante da décima oitava geração da família do militar que fundou o Rio em 1565. Estácio não teve filhos. Foi morto em batalha, após ser ferido no olho por uma flecha atirada por um índio em janeiro de 1567. Mas a família, quatro séculos e meio depois, continua com os pés na Cidade Maravilhosa e escolheu a Barra da Tijuca para morar.
– Ninguém acreditou em mim. Mas eu disse: “Minha família fundou o Rio” – lembra Thiago, que elege a Praia da Barra o seu lugar favorito na cidade.
Neto de Dilson Corrêa de Sá e Benevides, de 74 anos, o mais velho descendente de Estácio ainda vivo, Thiago é parente de Salvador Correia de Sá, primo do fundador da capital fluminense que foi duas vezes governador do estado. Às vésperas de a cidade comemorar seus 450 anos, a família destaca as grandes transformações pelas quais passa o Rio, principalmente em seu Centro Histórico.
– Este é um bom momento para refletirmos sobre como a nossa cidade está e o que podemos fazer para melhorar ainda mais o Rio – afirma Dilson de Sá, general da reserva do Exército e engenheiro militar.
Ele tem entre seus pertences, desde os tempos de criança, documentos da família, incluindo a árvore genealógica, que mostram a ligação com Estácio de Sá. Dilson, que é filho de Francisco Correia de Sá e Benevides, lembra que sua família, nos anos 60, chegou a ser homenageada durante as comemorações do IV Centenário do Rio, no Forte São João, na Urca.
– Ganhamos um busto do Estácio de Sá, que há 50 anos decora minha casa – destaca o militar.
Ele serviu durante 20 anos no forte da Urca. Foi ali, entre o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar, que Estácio de Sá fundou, em 1565, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
– Sou apaixonado pelo Centro Histórico. Sempre que posso, vou e levo minha família ao Paço Imperial – conta Dilson de Sá, que considera hoje a Barra o melhor lugar para morar na cidade, devido à segurança.
Autora do livro “Histórias da Ilha do Governador”, a historiadora Cybelle de Ipanema destaca, em sua obra, o auxílio dos índios temiminós ao fundador. Ela lembra que Estácio foi atingido defendendo sua cidade, num ataque desferido pelos franceses, com o apoio dos índios tamoios, ao Forte de Uruçumirim, em 1567, na atual Praia do Flamengo.
– Ele foi flechado com uma seta envenenada e morreu um mês depois. Mem de Sá (tio de Estácio) venceu o último reduto tamoio-francês, na Ilha do Governador, e transferiu a cidade para o Morro do Castelo.
O segundo governador do Rio, Salvador Correia de Sá, providenciou o túmulo do primo Estácio e pôs, na lápide, a inscrição: “Primeiro capitão e conquistador dessa terra e cidade”. O túmulo pode ser visto hoje na Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca.
Fonte: O GLobo
Foto: Rodrigo Bertolucci
Postado por: Raul Motta Junior