Reurbanização pode estender badalação aos domingos. Feira de antiguidades e centros culturais enriquecem programação
Até alguns anos, as ruas próximas à Praça Quinze eram comparadas, aos sábados, a cemitérios. Os poucos bares que abriam ficavam vazios. E, durante a semana, as opções para o lazer também não eram muitas. Se esse cenário fosse descrito a um turista que está conhecendo a região atualmente, ele teria dificuldade de acreditar no relato. Afinal, esse pedacinho do Centro, compreendido pelas ruas do Mercado, do Ouvidor e do Rosário e pelo Arco do Teles, virou o oásis da diversão durante seis dias da semana. Só o domingo ainda não entrou na programação dos botequins: a circulação de pessoas neste dia continua pequena.
O mais novo sucesso da área é o retorno do Samba da Ouvidor, um dos eventos responsáveis por transformar esse canto histórico do Rio no lugar ideal para quem curte música e cerveja gelada. Agora, a batucada não rola mais ao lado da Livraria Folha Seca: devido à superlotação, teve que se mudar para a esquina com a Rua do Mercado.
O evento teve uma pausa de quase três meses e voltou com força total no último dia 4, levando para a esquina cerca de três mil pessoas. No sábado, aconteceu a segunda edição. A próxima está marcada para 15 de novembro.
A programação musical dos bares não está restrita ao samba de raiz. No Antigamente, também na Ouvidor, no primeiro e no terceiro sábado de cada mês, ele dá as cartas, mas, no segundo e no quarto, é o samba-jazz que impera.
– Comecei a trabalhar aqui há 12 anos. Aos sábados, não vinha ninguém. Mas, agora, a frequência aumentou 40%. Recebemos muitas famílias e também turistas – informa o gerente da casa, Alexandre Almeida Costa.
ESPAÇO PARA CHORINHO
No Adelos, na Rua do Mercado, as tardes de sábado são dedicadas ao chorinho. Outro estabelecimento que investe na música é o Al-Farabi, misto de restaurante e sebo na Rua do Rosário. Da cozinha, saem pratos da culinária brasileira e as cervejas importadas; das caixas de som, notas de jazz, tocadas nas noites de quartas, quintas e sextas-feiras.
A estudante e ilustradora Júlia Borges, de 22 anos, conta que trocou a Lapa pelos bares da Rua do Rosário:
– Todo o cenário da região é agradável: os sobrados, as ruelas… Você bebe uma cerveja, ouve boa música e se vê cercado de livros.
Dona do Al-Farabi, Evelyn Chaves diz esperar dias de mesas ainda mais cheias a partir do ano que vem, com o projeto de reurbanização prometido para a Praça Quinze.
– Quando vim para cá, há dez anos, viviam 20 famílias no casarão onde hoje é a Brasserie Rosário, vizinha ao meu restaurante. Essa área mudou bastante, mas ainda tem muito a melhorar. Com a Praça Quinze mais bonita, vai estourar – aposta Evelyn, que tem planos de abrir seu estabelecimento aos domingos.
A badalação dos sábados é intensificada pela feirinha de antiguidades da Praça Quinze, pelas exposições do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e pelo teatro do Centro Cultural dos Correios. A Brasserie Rosário, com apresentações de músicos de jazz, ajuda a incrementar o charme da região.
– Hoje, a rua atrai um público de todas as classes e idades – comemora o chef francês Frédéric Monnier, que abriu a casa em 2005.
Fonte: O Globo
Foto: Fábio Rossi / Agência O Globo