“RAUL BARROZO DA MOTTA JUNIOR”
A corrida pela liderança da inteligência artificial ganhou um novo capítulo durante a Convenção Mundial de Inteligência Artificial, realizada na China.
No evento, o presidente chinês Xi Jinping defendeu publicamente a adoção de modelos abertos (open source), reacendendo o debate sobre o futuro das empresas que comercializam modelos fechados de IA e sobre os impactos dessa disputa para governos, empresas e usuários.
Para Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos e apresentadora da Resenha do Dinheiro, a principal diferença entre os dois modelos está no custo de utilização.
“Uma das maiores críticas da IA é o custo dos tokens. Empresas como Anthropic e OpenAI estão cobrando pela utilização dos modelos, enquanto a China defende modelos abertos e os modelos chineses financiados pelo governo são open source. Quando isso acontece, fica a dúvida sobre qual será o futuro dessas big techs se você vai ter modelos na China que serão completamente gratuitos”, analisa Marilia.
A executiva destaca que essa mudança pode alterar significativamente a dinâmica competitiva do setor, principalmente se os modelos gratuitos continuarem evoluindo em qualidade e capacidade.
Um levantamento da Linux Foundation mostra que 90% das empresas que utilizam inteligência artificial recorrem hoje a modelos abertos. Segundo Thiago Godoy, educador financeiro, se essas companhias utilizassem modelos fechados, o custo poderia ser até 3,5 vezes maior.
Após o discurso de Xi Jinping, o governo americano chegou a defender que empresas dos Estados Unidos deixassem de utilizar os modelos open source chineses.
A reação do setor privado americano, no entanto, foi imediata: empreendedores do Vale do Silício manifestaram preocupação, argumentando que boa parte de seus negócios depende desses modelos por serem mais baratos.
Além da disputa econômica, a expansão dos modelos abertos também levanta questionamentos sobre privacidade e uso de dados.
Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, faz um paralelo com as redes sociais para explicar um dos principais receios em relação aos serviços gratuitos.
“Quando você não paga por um serviço na internet, você é o produto. As empresas ganham dinheiro em cima da sua utilização, dos anúncios que mostram e da manipulação do algoritmo. Em IA, a questão é: você prefere pagar e ter uma privacidade maior ou não pagar e ter sua privacidade reduzida?”, questiona.
Por outro lado, Godoy pondera que modelos fechados também não oferecem garantia absoluta de proteção dos dados. Para ele, o open source traz benefícios importantes para todo o ecossistema de inteligência artificial.
“Vejo o modelo aberto como um ambiente que facilita a colaboração entre desenvolvedores, reduz custos e evita a concentração do mercado nas mãos de poucas empresas”, afirma.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.