“RAUL BARROZO DA MOTTA JUNIOR”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta sexta-feira (24) investimentos na área de defesa “para não deixar ninguém meter o nariz no país”. Ele afirmou haver “loucos pelo mundo querendo fazer guerra” e disse que os investimentos em defesa não podem ser algo “secundário”.
“Quero ela [as Forças Armadas] bem preparada do ponto de vista de poderio, de armamento, de conhecimento cientifico e tecnológico para que a gente possa andar de cabeça erguida, sem nenhuma arrogância, falando em paz, mas preparado para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país”, disse em agenda em Jacareí (SP).
Lula não fez menções ao conflito no Oriente Médio. Em seu discurso, ele declarou que o país é defensor da “paz”, mas destacou a necessidade de ter as Forças Armadas bem treinadas e preparadas. “Precisamos levar em conta que a defesa é séria”, afirmou.
O chefe do Executivo, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e ministros realizaram nesta manhã visita à sede da Avibras Aeroco, empresa de tecnologia e indústria bélica que retomou atividades em maio deste ano.
Fundada em 1961, a Avibras enfrentou problemas financeiros nos últimos anos e um processo de recuperação judicial, com greve de funcionários. No evento desta sexta, Lula e o ministro da Defesa, José Múcio, destacaram as tratativas conduzidas pelo governo, desde o início da atual gestão, para a retomada das atividades da empresa.
“Não podemos ter as Forças Armadas, ter a Aeronáutica, a Marinha, e não ter as coisas que a gente precisa. E quando alguém quiser invadir, a gente falar ‘não invade agora, não, deixa eu comprar, me dá uns seis meses de prazo’. Ninguém espera, cara”, declarou Lula.
Nos últimos meses, em meio a atritos com os Estados Unidos, o presidente tem defendido ampliar os investimentos em defesa e reforçado a necessidade de preservar a soberania nacional. Lula disse ainda que o Brasil é um país “poderoso” e dispõe de riquezas, como os minerais críticos.
Após o evento, a jornalistas, Geraldo Alckmin classificou como algo “injusto” e “descabido” a nova taxação de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos contra um grupo de países, com a justificativa de supostas práticas de trabalho forçado.
Sobre o uso da Lei de Reciprocidade, Alckmin declarou que no “momento adequado” o governo tomará uma decisão. Também defendeu apoiar setores afetados, buscar novos mercados e seguir na “mesa de negociações” com os EUA.