“RAUL BARROZO DA MOTTA JUNIOR”
O meia Elvis, da Ponte Preta, fez um forte desabafo após a derrota da equipe por 2 a 1 para o Criciúma, na última quarta-feira (8), pela 17ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. O jogador denunciou atrasos no pagamento de salários e criticou a postura do presidente Luiz Antônio Alves Torrano, que, segundo ele, ainda não procurou diretamente elenco para tratar da situação.
O meia ainda afirmou que a diretoria precisa “dar a cara” aos atletas e disse que, caso o presidente não consiga buscar recursos para solucionar os problemas financeiros, deveria deixar o cargo.
“Entrei na Justiça, voltei e recebi um salário até hoje. O que é isso? Aí o presidente novo não aparece, não vem falar com a gente. O que é isso? A gente tem família, todo mundo tem família. Tem que vir falar com a gente, não ficar falando em podcast. Vem falar com o jogador, vem dar a cara para bater. Desse jeito é fácil”, afirmou.
“E nossas contas que estão chegando, a gente vai fazer o quê? Vou falar em podcast que não vou pagar, que não estou recebendo? Tem que ter hombridade, isso não é brincadeira, estão brincando com nossas vidas. Chega dessa palhaçada com a gente e com nossos familiares. Não consegue trazer recursos, saia do clube”, completou.
Transfer ban e novas contratações
O meia de 35 anos também questionou como o clube custeará a chegada de novos reforços enquanto lida com uma crise financeira e restrições para registrar jogadores.
A insatisfação reflete o sufoco que a Ponte Preta vive nos bastidores: só no início de 2026, o clube precisou derrubar dois transfer bans (da Fifa, pelo zagueiro Luis Haquin, e da CNRD, por dívidas gerais).
Contudo, a calmaria durou pouco. Novos atrasos no plano coletivo geraram mais um bloqueio da CNRD e, em maio deste ano, a Fifa aplicou outra restrição devido a uma pendência com um clube paraguaio.
“Aí agora contratou um monte de jogador, tomara que chegue para ajudar, mas daí vai pagar o transfer ban. E o dinheiro para pagar os jogadores? Aí vai saindo, quanto mais sai melhor é, né? Eu não vou sair, vou ficar até o final. Se estão esperando sair, eu não vou sair, vou ficar até o final, porque o que estão fazendo com a Ponte Preta não existe”, declarou.
Ponte na zona de rebaixamento
O meia também responsabilizou a diretoria pelos resultados negativos da equipe dentro de campo. A Ponte Preta ocupa a vice-lanterna da Série B, com oito pontos em 17 jogos, após duas vitórias, dois empates e 13 derrotas.
“Com todo respeito, a Ponte Preta é muito grande para estar sofrendo o que está sofrendo em um campeonato como esse. E não é por culpa nossa só. É inadmissível. Eu quero saber: quando vão fazer alguma coisa? No futebol é simples, se você não consegue trazer recurso, saia. Saia e abra as portas para outros entrarem. Não é feio falar ‘eu não consegui’. Agora ficar mentindo para a gente? Isso não existe, basta. Saia do clube, é simples, deixa quem consiga trazer recurso entrar. A gente não merece passar por isso.”
Elvis ainda afirmou que recebeu apenas um dos sete salários que deveria ter recebido e disse que recusou propostas de outros clubes para permanecer na Ponte Preta por acreditar na recuperação da equipe.
“Eu estou aqui há quatro anos, é o pior ano meu. Aí é culpa do Elvis? Deve ser, né? Recebi um mês de seis, de sete. Deve ser culpa minha mesmo. Eu não saio porque gosto de estar aqui, tive quatro propostas e quis ficar aqui porque acreditei que ia melhorar. Estou sendo julgado até hoje porque errei, já falei para a minha família que errei, só que agora vou ficar até o final do ano. Eu sou homem, quando assumo compromisso vou dar a cara aqui.”
“Se cair, vou jogar todos os jogos que puder jogar. Eu estou na Ponte Preta desde sempre, saí da Série A e vim para cá. Eu escolhi estar aqui. Não tem essa de que não tinha mercado. Tinha e até hoje eu tenho se quiser ir para a Série C. Mas eu não quero, eu quero ficar aqui. Se tiver que cair para a Série C, eu vou cair, mas vou cair olhando na cara de todo mundo”, finalizou.