Pode parecer uma simples caixa de madeira, mas atenção: esse cubo oco de seis paredes finas tem o poder de transportar pelo tempo quem se aproxima dele. A viagem leva quem espia através de um buraco para o Rio de Janeiro do século XIX. Ele pode, por exemplo, pular um carnaval de época, passear pela cidade na companhia do último burro que puxava os bondes e até testemunhar o caso de amor de uma prostituta de rua.
O projeto “O Rio de João”, que estará em cartaz neste fim de semana no Teatro Municipal de Marionetes Carlos Werneck, no Parque do Flamengo, é inspirado na obra “A alma encantadora das ruas”, do jornalista, poeta e cronista João do Rio (1881-1921).
Idealizado pelo coletivo artístico Eu Amo a Rua, as peças têm de dois a quatro minutos, são vistas por um espectador de cada vez e são mostradas por meio de diversas técnicas teatrais, sempre dentro da caixinha (chamada de lambe-lambe pela similaridade com antigas máquinas fotográficas), em cima de um tripé.
— Em cada caixa usamos uma técnica diferente de teatro de animação. Tem teatro de figura, de brinquedos, de sombras, com bonecos com ímã — conta Rita Spier, uma das professoras de uma oficina que deu origem ao projeto. — Tem um tom poético em apresentar uma peça para uma única pessoa. Elas entram em um universo diferente. Ficam sentadas, com um fone de ouvido, olhando para um cenário específico. A reação dos idosos é a melhor. Eles se identificam com o que viveram.
A idealização do projeto é dos atores André Gracindo e Raquel Botafogo, e a entrada é gratuita.
Fonte: O GLobo
Foto: Guilherme Leporace / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior