Após a inauguração da ciclovia, público encontra novas atrações na Niemeyer

A ciclovia Tim Maia, inaugurada na Avenida Niemeyer, além de ser uma rota de lazer e mobilidade para a cidade, está levando cariocas e turistas a novas paisagens. Enquanto alguns motoristas reclamam que perderam parte da vista para o mar, quem pedala, caminha ou corre no local acaba surpreendido por lugares como a Gruta da Imprensa e o Viaduto Rei Alberto. Localizados na altura do número 550, eles agora podem ser visitados pelo público. O acesso é por meio de uma escada.

Os engenheiros Murilo Lopes e Sérgio Leite, ambos de 70 anos, são amigos desde a faculdade e costumavam passear pelo local acompanhados de suas namoradas na juventude. Nesta quinta-feira, os dois caminhavam pela ciclovia e, ao se lembrarem da arquitetura, descobriram que poderiam revisitá-la 50 anos depois.

– Temos fotografias daqui com as nossas mulheres. Era um ponto turístico antigamente. Acho que tem potencial para ser um lugar legal, para quem frequenta a ciclovia. A vista é linda – disse Sérgio.

Localizado na altura do número 550, na Avenida Niemeyer, o local já foi ponto turístico do Rio de Janeiro Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo
Ponto da Gruta da Imprensa e do Viaduto Rei Alberto

Localizado na altura do número 550, na Avenida Niemeyer, o local já foi ponto turístico do Rio de Janeiro. A Ciclovia Tim Maia dá acesso à gruta que, apesar de meio abandonada, tem uma vista deslumbrante do mar e do costão que cerca a via.

O engenheiro José Lerer costuma rodar a cidade em cima de sua bicicleta e foi surpreendido pela existência da Gruta da Imprensa. Admirador do Rio, ele diz que a ciclovia desperta a sua atenção para detalhes da paisagem:

– Este trecho de ciclovia que vai de São Conrado ao Leblon é, na minha opinião, o mais bonito do Brasil e da América do Sul. Estou encantado. Já parei muitas vezes para fotografar. A cada imagem você descortina um visual novo. Não conhecia a gruta, nem o viaduto. Parece que você não está no Rio quando olha para esse mar batendo nas pedras. Dou nota 10.

O viaduto foi construído na década de 1920, para a visita do Rei Alberto da Bélgica ao Brasil. Na ocasião, uma série de melhorias foram feitas na cidade. De acordo com Márcio Machado, presidente da Fundação Geo-Rio, o elevado ajudou a amenizar a sinuosidade da Avenida Niemeyer. E, como a estrutura embaixo dele foi construída em formato de arcos, dava a impressão de que era uma gruta.

– Na década de 1930, passava por ali o circuito da Gávea, que recebia campeonatos oficiais de corrida automobilística. A imprensa que cobria o evento ficava nessa caverna, por isso ela ganhou o nome de Gruta da Imprensa – explica Márcio.

Apesar da vista deslumbrante, o lugar apresenta sinais de abandono, com restos de concreto, lixo espalhado e água parada. O presidente da Geo-Rio diz que há um projeto em estudo para melhorar as condições do local.

Outro ponto revelado pela ciclovia fica na altura dos antigos números 99 e 101 da Niemeyer, logo após a entrada do Hotel Sheraton. Imóveis que existiam na área foram desapropriados e demolidos para que a pista fosse construída.

– Com essa abertura, descobri que havia uma praia aqui embaixo. Também apareceu a vista para o mar, que é linda demais. Aqui tem uma paz diferente – diz o argentino Mauro Jogich, que mora há três anos no Rio e sempre vai a pé do Cantagalo ao Vidigal, onde tem amigos.

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Após a obra, a Avenida Niemeyer ganhou mirantes não-oficiais:

– Parece que estou pedalando no mar. Esse contato com a natureza é maravilhoso – comentou a fotógrafa Julian Toffoli, que aproveitou a parada para tirar fotos com seu celular.

Fonte: O GLobo
Foto: Custódio Coimbra
Postado por: Raul Motta Junior