Quando o professor Marcus Fonseca comunicou aos alunos do projeto Tênis Para Todos que não haverá aulas durante o carnaval, recebeu como resposta uma onda de protestos. Indagados se gostariam de treinar nessa semana, a palavra “claro” ecoa pela sala. Logo depois da folia, no entanto, eles estarão fora da quadra do Hotel Sheraton por um motivo de aprovação unânime: no dia 15 de fevereiro, começa no Jockey Club Brasileiro o Rio Open, o maior torneio de tênis na América Latina. E nesta edição, os jovens aspirantes a tenistas profissionais, além de torcerem pelos ídolos, vão competir com alunos de outros quatro projetos sociais apoiados pelo evento.
Voltado para jovens moradores de comunidades, a primeira edição do campeonato juvenil terá cinco equipes competindo em duplas, que serão batizadas em homenagem aos jogadores que estrelam o evento. Bons nomes não faltam: Rafael Nadal, David Ferrer e Jo-Wilfried Tsonga são três dos participantes mais esperados.
— Para eles, é o sonho acontecendo — diz Alexandre Borges, coordenador do projeto Tênis na Lagoa, que existe há 12 anos e participa da iniciativa. — A parceria dá a essa molecada a oportunidade de ver os ídolos de perto, usar a estrutura deles. É uma inspiração — afirma.
No mesmo dia da competição juvenil, o Rio Open também vai oferecer às crianças uma clínica — aula coletiva — com um jogador profissional, ingressos para as partidas e, para alguns, a oportunidade de ser “boleiro”, isto é, de pegar as bolas disparadas durante os jogos. A propósito, ao final do torneio, todas as bolas usadas no evento serão doadas para os projetos participantes.
Os irmãos Mateus (à esquerda) e Isaías Ginuino: na disputa – Fernada Dias / Agência O Globo
— Queremos motivar essas crianças, deixá-las ainda mais engajadas e animadas com o nosso esporte — exalta Luiz Carvalho, diretor de torneio do Rio Open.
Nas quadras públicas em frente ao Clube Monte Líbano, na Lagoa Rodrigo de Freitas, os jovens atletas do projeto Tênis na Lagoa esperam ansiosos pela data. Os irmãos Isaías e Mateus Ginuino, de 16 e 13 anos, estão com Borges há três anos e vão disputar o torneio.
— Gosto muito de competir, é divertido. Mas todo atleta fica um pouco nervoso, é normal, eu acho — diz Isaías.
Ele e o irmão moram na Favela César Maia, em Vargem Pequena, e saem todos os dias da Zona Oeste para a Zona Sul.
— Normalmente, levamos 90 minutos de ônibus para completar o trajeto. Quando tem trânsito, perdemos três, quatro horas — conta Isaías.
Para Marcus Fonseca, do Tenis Para Todos, as comunidades estão cheias de atletas em potencial.
— Nós temos que massificar o esporte, acabar com isso de que o tênis é para a elite — diz o professor do projeto que, além das aulas de tênis, oferece aulas de inglês e informática aos jovens de Vidigal, Rocinha e Cruzada. — Se houver investimento e trabalho sério, vamos conseguir bons atletas.
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Serviço:
Rio Open. Sede Social do Jockey Club — Av. Mário Ribeiro 410, Lagoa. Mais informações no site do Rio Open.
* Estagiária sob a supervisão de Natanael Damasceno
Fonte: O GLobo
Foto: Fernanda Dias / Agencia O Globo
Postado por: Raul Motta Junior