Reabertura do comércio do Rio traz riscos a quem respeitou o isolamento social

O decreto do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que flexibiliza o isolamento no estado para daqui a oito dias, traz uma reflexão presente também em decisões e impasses de prefeitos e governadores Brasil afora. A economia é uma das vítimas da pandemia. Mas dar força à pressão pela abertura de estabelecimentos, como restaurantes e shoppings pode ser também uma fresta aberta para a contaminação de quem estava respeitando o isolamento pleno.

Os casos no Rio, atestam dados de hospitais públicos e privados, começam a cair. Mas os especialistas repetem à exaustão a concreta realidade da subnotificação. E falam também do risco de um relaxamento quanto às medidas de isolamento, em um estado que há duas semanas debatia lockdown completo.

É uma conta difícil de prever o resultado. O desolador cenário de lojas fechadas, que guardam por trás delas histórias de funcionários demitidos e empresas falindo, se compara ao drama de pacientes graves em leitos de Covid-19? Ou à espera de um leito?

Os moradores do Rio têm flexibilizado por si mesmos as regras, a despeito da vigíilância da PM. Agora, ancorados em decreto do governo, tendem a voltar de vez para a rua, para o lazer. Como se não tivéssemos todos acesso ao número de mortes pelo vírus no estado. O equivalente a cinco acidentes aéreos sem sobreviventes.

A decisão é pessoal. Mas, aconselham médicos, parcimônia e cuidado – consigo e com os outros – precisam nortear a escolha por sair de casa que, se antes era trivial, agora leva a consequências imprevisíveis. Por cuidado e parcimônia entenda-se que é necessário ao cidadão saber se tem comorbidades, usar sempre máscara e álcool gel. E trocar de roupa e tomar banho assim que chegar em casa. O risco, no entanto, segue na espreita.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior