Na pandemia, ONG na Mangueira muda o foco e entra na luta contra a fome

Nunca antes nos 25 anos da Associação Meninas e Mulheres do Morro houve um desafio tão grande a ser enfrentado: a fome. E olha que a ONG, fundada para amparar quem se encontra em situação de vulnerabilidade social, nasceu na Mangueira para combater a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis e a violência doméstica, além de prevenir a gravidez precoce. A pandemia de Covid-19 vem se mostrando cruel por seus efeitos devastadores tanto para as pessoas que contraem a doença quanto para quem fica sem ter como lutar pela própria sobrevivência; afinal, a necessidade de distanciamento social tirou a fonte de renda de muita gente. Mães, em sua maioria trabalhadoras autônomas, perguntam-se o que vão fazer para alimentar seus filhos, já que nem todas, por motivos variados, receberam o auxílio emergencial pago pelo governo federal. Diante deste drama, a instituição voltou seus esforços para conseguir doações de comida e produtos de limpeza e higiene pessoal.

Diariamente, Kely Louzada, coordenadora da associação, é procurada por mulheres que precisam de ajuda urgente para não passar fome ao lado de seus filhos.

— Aqui na Mangueira muitas chefes de família, que trabalham como faxineiras, ambulantes, manicures e cabeleireiras, ficaram praticamente sem renda por causa da pandemia. Percebemos o desespero delas e fomos atrás de doações. Nossa prioridade é atender pelo menos 250 famílias de mulheres que não têm mais como sustentar suas casas. A preferência é ajudar mulheres, pessoas em situação de rua, travestis e transexuais. Mas se um pai de família nos procurar pedindo alimentos, ajudamos também — observa a líder comunitária, que põe o telefone 96936-0072 à disposição de quem quiser colaborar com a instituição.

Sem dúvida alguma, a solidariedade é um dos caminhos para superar a crise causada pelo novo coronavírus. O outro, frisa ela, é a conscientização de que este mal só será vencido com a contribuição de todos.

— Estou sempre falando para usarem máscaras, lavarem as mãos e só saírem de casa por extrema necessidade. Neste momento, a mulher, principalmente a que tem filho pequeno, não consegue trabalhar porque creches e escolas estão fechadas. O jeito é esperar tudo isso passar. Eu sei que, por mais que a mulher seja forte, é um peso grande ser a única responsável por botar comida em casa — diz Kely.

Arte é resistência. Para continuar oferecendo programação cultural ao público durante a quarentena, os museus da região estão disponibilizando parte do seu acervo digitalmente e propondo atividades interativas pelas redes sociais.

O Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea, localizado na Colônia Juliano Moreira, na Taquara, deu a largada. Fechado desde o dia 16 de março devido às medidas de combate à pandemia de Covid-19, duas semanas depois passou a postar peças de Arthur Bispo do Rosário, ex-interno que dá nome à instituição, em seu perfil no Instagram (@museubispodorosario). A primeira foi o Manto da Apresentação, que o artista fabricou ao longo de décadas. Trata-se de um cobertor bordado com palavras e símbolos que representam aquela que ele julgava ser sua missão: criar um mundo sem miséria, doenças e sofrimento. Já no dia seguinte, o museu propôs um desafio aos seguidores: que eles tecessem seus próprios mantos de apresentação, reunindo sentimentos, lugares, coisas e pessoas importantes para eles.

— Queremos propor atividades lúdicas e pedagógicas para a família, falar sobre o Bispo e sobre suas obras, que ele produziu em confinamento. Observar de que forma ele pode nos ajudar a pensar este momento — afirma Raquel Fernandes, psiquiatra e diretora-geral do museu.

A instituição também está promovendo, neste que é o mês da luta antimanicomial, a campanha Arte em Casa. A iniciativa busca arrecadar verba para comprar e distribuir materiais de desenho e pintura para 60 usuários da rede de saúde mental que participam das oficinas do Polo Experimental de Convivência, Educação e Cultura. As doações podem ser feitas pelo site museubispodorosario.com/apoie.

Outra instituição que está disponibilizando o acervo digitalmente é o Museu Casa do Pontal, no Recreio, dedicado à cultura brasileira. No perfil @museucasadopontal no Instagram, há imagens da exposição “(Re) inventar”, que estava em cartaz no Sesc Santos, em São Paulo. A mostra, calcada na poética das águas, tem obras de artistas que levam os espectadores a navegar pelo mundo da imaginação, como os barcos e as oferendas de Tamba, que é de Cachoeira, no interior da Bahia; e o sinaleiro dos ventos de Laurentino, que é de Curitiba, no Paraná. Todas foram cedidas pela Casa do Pontal.

— Estamos planejando uma ação maior, que até o início de junho será divulgada em nossas redes sociais, para ampliar o engajamento do público apaixonado pela cultura popular brasileira e por suas festas — adianta Lucas Van de Beuque, diretor executivo do museu.

O Museu da Seleção Brasileira, localizado na sede da CBF, na Barra da Tijuca, está apresentando no site parte de seu acervo de 1.500 fotos na série #TBTdaAmarelinha, que vem relembrando semanalmente, desde 16 de abril, momentos históricos das seleções brasileiras masculina e feminina.

— É importante divulgar a história de personagens que muitos jovens fãs de futebol hoje não conhecem — destaca Fernando Torres, gerente de comunicação da CBF.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Divulgação