Dona do dinheiro encontrado na rua por idosa agradece: ‘Rezei bastante por ela’

Uma senhora de 64 anos, desempregada, achou uma carteira com R$ 1.140. Para muitos, poderia ser um dia de sorte: em meio à crise instalada pela pandemia do coronavírus, encontrar tanto dinheiro assim. Mas Helena Maria do Nascimento nem cogitou ficar com a grana. Ela sabia o que deveria fazer e nem pensou duas vezes ao buscar o banco mais próximo para devolver a quantia ao dono.

Helena encontrou um cartão da Caixa Econômica junto às notas. Moradora de Barros Filho, na Zona Norte, e sem dinheiro para pagar as passagens de ônibus de ida e de volta, ela foi a pé, caminhando por 20 minutos, até uma agência em Deodoro para fazer o depósito para a pessoa titular da conta daquele cartão.

O valor perdido pertencia a Daniele dos Santos, de 32 anos, também moradora de Barros Filho. Naquele dia, ela sacou o Bolsa Família, no valor de R$ 1.200, e foi ao mercado fazer compras. Ao voltar para casa, percebeu que havia perdido a carteira.

— Quando saí do mercado, botei tudo dentro da bolsa. No meio do caminho, ela rasgou, acho que por causa de um pote de manteiga, e quando cheguei em casa vi que estava sem a carteira. Refiz o trajeto para ver se conseguia achar pelo menos o cartão. Não achei e voltei muito nervosa e passando mal — contou ela.

Após se acalmar, Daniele decidiu ir até a agência da Caixa para cancelar o cartão. Porém, ao consultar o saldo da conta, percebeu que o valor havia sido depositado em sua conta:

— Eu já tinha dado o dinheiro como perdido. Quando verifiquei meu saldo, senti meu coração aliviado e rezei bastante pela pessoa que fez isso por mim.

Pernambucana pode ser despejada
O caso aconteceu na última sexta-feira, e a gerente do banco, sensibilizada, pagou um Uber para que a idosa voltasse com mais conforto para casa. Helena contou ao GLOBO que fez “o que era justo” e que “ficou com o coração aliviado”:

— Estou desempregada, mas aquele dinheiro não era meu. Além disso, ela (a correntista) pode estar precisando mais do que eu. Fiquei feliz por achar a carteira com o cartão junto, identificando a pessoa, porque só assim eu poderia devolver para a dona.

A moradora de Barros Filho contou que estava saindo de casa para ir justamente a uma agência da Caixa, por recomendação de uma amiga, para conseguir informações sobre o auxílio emergencial de R$ 600, pago pelo governo federal por conta da pandemia. Ao longo do caminho, encontrou a carteira no chão e decidiu voltar para casa.

— Eu tinha acabado de sair, então voltei para casa para pensar como poderia devolver aquele dinheiro. Como eu só tinha o suficiente para pagar uma passagem de ônibus, tive que escolher entre usar na ida ou na volta. Preferi ir a pé e voltar de ônibus. Acabou que nem foi preciso — disse ela.

Nascida em Pernambuco, Helena chegou ao Rio aos 5 anos com os irmãos e os pais. Hoje ela mora com uma irmã numa casa à beira da Avenida Brasil, que sofre ameaça de despejo por conta da obra do BRT Transbrasil.

Helena ficou desempregada há cerca de um ano, quando pediu demissão do emprego de operadora de caixa num supermercado para cuidar da mãe, que sofria de Alzheimer e morreu em fevereiro, aos 95 anos. Para ajudar a pagar as contas, ela passou a fazer faxinas e outros bicos. Apesar de viver no aperto, Helena ficou satisfeita de poder dar o exemplo para a família:

— Tenho dois filhos e uma netinha de 17 anos. Ela chorou ao ver o vídeo com o depoimento que eu gravei.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior