Coronavírus: Em tempos de distanciamento social, tradicional almoço de Páscoa acontece virtualmente

O domingo de Páscoa começou conectado para a arquiteta paulistana Daniela Pelegrini. Radicada no Rio, ela já fez vídeo chamada com a família mineira do marido, o médico intensivista Emiliano Folly, jogou conversa fora com os parentes que estão no interior de São Paulo e confraternizou com amigos de tudo que é canto. Foi a maneira que encontrou para estar perto de quem gosta diante das restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus.

— Muitas dessas chamadas aconteceram durante o preparo do almoço. Antes da quarentena, era nesse instante que eu costumava bater papo com as minhas irmãs, dar aquelas boas risadas. Foi divertido ver nossa interação, cada uma da sua casa perguntando o que a outra estava fazendo. Vamos driblando a saudade com a ajuda da tecnologia, mas a sensação é ruim. Não sabemos quando vamos nos reunir novamente. Essa incerteza gera um tiquinho de medo — diz a arquiteta, mãe de Guilherme, de 3 anos. — Os padrinhos do Gui mandaram ovos de páscoa, e meu marido e eu montamos todo clima. Desenhamos, inclusive, as pegadas do coelho na noite passada. Para o meu filho, nada mudou. As crianças têm uma capacidade incrível de adaptação.

Reforçando a importância do distanciamento social para conter o avanço da Covid-19, o marido de Daniela, que trabalha no CTI do Hospital São Vicente de Paulo, na Tijuca, participou de todas as chamadas virtuais.

— Conseguir estar em casa na Páscoa (que significa renovação e renascimento) com toda a situação que estamos passando, além importantíssimo para a recuperar as energias é fundamental também para aqueles que mais têm me apoiado nessa jornada: minha família — comenta Emiliano Folly, parte da linha de frente dessa luta.

Assim como a arquiteta paulistana, muita gente recorreu a aplicativos para reunir a família nesta Páscoa. Isolada, já que pode ficar em casa, a designer de produtos gaúcha Juliane Silveira Alves, de 24 anos, reuniu a família para celebrar a data.

— Como não moramos na mesma cidade, a Páscoa era o período do ano em que tentávamos nos reunir. Mas, dessa vez, preferimos não estar juntos. Minha avó materna, Anilda, tem mais de 80 anos e não queríamos colocá-la em risco. Sugeri a vídeo chamada para manter a tradição de algum jeito. A experiência foi engraçada. Todo mundo falava ao mesmo tempo; foi uma gritaria; ninguém conseguia se entender… Porém, estávamos unidos. Ah, e vovó arrasou no manejo do aplicativo que usamos. Ela é muito tecnológica, sempre presente nas redes sociais e no grupo da família no WhatsApp — conta Juliane.

Recém-chegada da Espanha, a estudante paraibana Isis Luna, de 23 anos, está em quarentena com a namorada e fez o almoço especial por vídeo com os país, as irmãs, cunhados e sobrinhos.

— Minha namorada e eu estamos 100% isoladas em nosso apartamento, não vamos encontrar meus pais em momento algum dessa quarentena. E nem vamos sair de casa. Não é hora de proliferar o vírus; nem para nossa família nem para o resto da população — observa Isis. — Estar distante de quem amamos é doloroso, principalmente de quem costumávamos conviver quase que diariamente. Mas estamos vivendo uma pandemia. Essa é a hora de ser prudente e reinventar formas de matar a saudade e ainda assim ter a alegria de compartilhar momentos especiais.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior