Para economizar, foliões levam bebidas para blocos deixando ambulantes frustrados

Apesar de os blocos estarem levando até 320 mil pessoas para a folia, como foi o caso da atriz e cantora Preta Gil no último domingo, ambulantes reclamam do fraco movimento de venda. Na manhã deste domingo, um grupo tentava driblar a “crise” seguindo para outro ponto da Avenida Presidente Antônio Carlos, onde o megabloco desfilou. Rosana Maria da Silva chegou às 8h no local e, em duas horas, havia vendido três latinhas de cerveja a R$ 10. Na semana passada, durante o bloco da Claudia Leitte, ela já tinha totalizado R$ 80 em vendas nas duas primeiras horas.

— Não vendi nada ainda, praticamente. Meu isopor está cheio — disse, incomodada. — Na semana passada também não foi tão bom, mas estava melhor.

Daiana Pereira, de 34 anos, também resmungou do pouco movimento. Para ela, a quantidade de ambulantes e o fato de que muitos foliões estão trazendo a própria bebida prejudicaram as vendas.

— Eu não sei o que está acontecendo. Mas percebo que o público está abaixo do esperado, sem contar que, com o desemprego, muita gente se cadastrou como ambulante. Além disso, vejo grande parte do público trazendo suas bebidas de casa.

O cabeleireiro Victor Estrela, de 22 anos, chegou ao Bloco da Preta com os amigos da Baixada Fluminense com a bolsa térmica cheia: catuaba, cerveja, vodka e enérgetico.

— A bebida alcoólica é nosso combustível. Fizemos uma vaquinha e trouxemos tudo porque sai muito mais barato — afirmou o folião, contando que o grupo de 13 pessoas gastou pouco mais de R$ 100 para compraras bebidas consumidas na folia.
O casal Emerson Soares e Talita Souza chegou de Campo Grande com a bolsa cheia e disseram ter desembolsado apenas R$ 30 com 15 latinhas de cerveja e duas garrafas de água. A técnica em saúde bucal, Vanessa Macedo, de 24 anos, reforça a economia.

— Se fôssemos comprar aqui, cada um gastaria pelo menos R$ 100.

Em seu quarto ano de vendas no carnaval carioca, a ambulante Patricia Gomes apostou no bloco Suvaco do Cristo, no Jardim Botânico, que levou 35 mil pessoas para as ruas do bairro da Zona Sul. Ela abasteceu o isopor e ficou posicionada na Rua Jardim Botânico à espera dos foliões. Mas o faturamente foi abaixo do esperado

— Primeiro que tem muito ambulante para pouco folião. Segundo, que tem muita gente trazendo bebida de casa — cita os motivos.

O estudante de nutrição Rodrigo Bernardo, de 23 anos, foi um dos que preferiram comprar bebida antes do bloco. Morador da Freguesia, na Zona Oeste, ele cruzou a cidade com o uma bolsa térmica lotada de cerveja e água. Tudo pela economia.

— É ruim de carregar, mas fica muito mais barato que no bloco.

A cobertura do carnaval do jornal O GLOBO tem apoio de Ame Digital.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo