Em meio a operações e confrontos, uma parada para celebrar o amor. No alto do Corcovado e abençoados pelo Cristo Redentor, 11 militares do Batalhão de Polícia de Choque trocaram alianças num casamento coletivo, na noite desta quarta-feira. O evento fez parte de um projeto comunitário promovido pela área de comunicação da Polícia Militar, que reuniu quase 50 parceiros para realizar a cerimônia. O casamento foi celebrado pelo reitor do santuário, padre Omar Raposo.
As noivas tiveram direito a vestido com véu e grinalda. Rosana Negreiros, que está grávida de 5 meses do PM Leandro Vieira, considerava a ideia de se casar um sonho muito distante. Ela e o militar estão juntos há 7 anos.
— Aconteceu tudo muito de repente. Não tenho nem palavras. São duas emoções: casar e ter o primeiro filho — afirmou a noiva, muito emocionada.
Depois de uma amizade de aproximadamente 15 anos, o soldado Tiago Marques encontrou apoio nos braços de Daniela Farias em em um momento pessoal muito doloroso: a perda da mãe. Após sete anos de relacionamento, o casal finalmente subiu ao altar junto com os outros dez.
— Eu só tenho a agradecer a Deus, ao Batalhão e aos colaboradores, porque no meio da guerra que a gente vive, hoje está sendo só alegria. Está tudo muito lindo. Daniela sempre foi minha amiga, mas acabamos mudando esse papel para namorada, depois noiva e, agora, esposa. Somos um só — comemora o policial.
Os noivos foram policiais cujos salários foram considerados insuficientes. O objetivo do projeto foi oficializar a união desses agentes, para garantir amparo jurídico às famílias, em casos de emergências, como a ocorrência de mortes em serviço:
— Nós observamos que dentro da Polícia Militar existem muitos casais que não são casados nem tem união estável. Quando o policial vem a falecer em serviço, é uma luta para conseguir todos os benefícios. Foi uma forma de não deixarmos as famílias desamparadas, além de valorizar o profissional — explicou a capitão Tatiana Lima, chefe da comunicação social.
O casamento coletivo foi organizado em parceria com a produtora de eventos Verônica Lopez e mais 47 colaboradores:
— Contei com o apoio de algumas empresas parceiras que se voluntariaram e que trabalham comigo há anos. Esse evento é mais complexo, porque, nesse caso, são 11 casais diferentes, 11 opiniões diferentes. Quando eu faço esse tipo de ação, é muito gratificante. Faz muito bem para mim — diz Verônica Lopez, que organiza casamentos coletivos com policiais desde 2012.
O Tribunal de Justiça também participou da campanha, concedendo a isenção do pagamento para a realização do casamento no civil.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior