Lapa recebe jardim criado para filtrar água da chuva e evitar alagamentos na área

A Fundição Progresso inaugura neste sábado o primeiro Jardim de Chuva do Rio, projeto criado para reduzir os alagamentos na região, armazenando parte da água da chuva que sobrecarrega a rede pluvial na área. Para isso, foi utilizada uma forma de plantio que faz uso de plantas nativas. Além da função de drenagem da água, o projeto, que será inaugurado durante a quarta edição do evento Plante Rio, foi pensado para melhorar o visual no entorno dos Arcos da Lapa.

O jardim foi implantado dentro da área da Fundição, mas a grade cheia de cartazes que bloqueava a visão de quem está de fora foi substituída por uma grade de ferro fundido cujo desenho reproduz espécies de plantas. Naquele local, os alagamentos são frequentes. Segundo a arquiteta responsável pelo jardim, Fabiana Carvalho, o solo da região é argiloso, o que ajuda a acumular água e causar enchentes.

— O principal objetivo de se fazer um jardim nesse local é promover a infiltração da água, porque, quando chove muito, a rede pluvial da área não suporta o volume que recebe. Os dez primeiros minutos de uma chuva forte são suficientes para saturar a capacidade de escoamento — explica.

Para a construção do jardim, foram utilizados pedaços do concreto antigo que estavam no local. Agora embaixo da terra, o material serve como reservatório temporário.

— Para um jardim de chuva, é preciso cavar o dobro do que é necessário para um jardim normal, que tem de 40 a 50 centímetros de profundidade. Em seguida, uma parte é preenchida com pedras. Depois, é feita uma camada de britas. Só então, é colocada uma tela e a terra para o plantio.

De acordo com a arquiteta, o sistema suporta cerca de cem metros cúbicos de água, e funcionou bem durante as chuvas dos dois últimos meses. O verão, época em que a cidade sofre com um grande número de enchentes, será o grande teste.

A agricultora urbana Alice Worcman explica que o jardim recebe a primeira água da chuva, muito poluída. Além de fazer a captação, o sistema filtra os sedimentos finos e parte dos poluentes dessa água, que volta mais limpa para o sistema pluvial.

Evento de inauguração
Worcman, que integra o grupo Organicidade, foi responsável pelo plantio e a escolha das espécies. O projeto é uma tentativa de retomar a vegetação natural da região:

— A ideia é tentar reproduzir as condições naturais que existiam aqui, o que chamamos de plantio regenerativo. Estamos no processo inicial de atrair a fauna que virá através das plantas que estamos cultivando. Queremos trazer pássaros, borboletas e abelhas para essa região, que foi muito degradada por intervenção do homem — conta.

O Jardim de Chuva será inaugurado durante o Plante Rio, que acontece ao longo deste sábado, também na Fundição Progresso. O evento promove uma feira de produtos agroecológicos, oficinas, rodas de conversa. Também será apresentada a instalação VoaFlor, do artista plástico Ernesro Neto. Em sua quarta edição, o evento procura incentivar soluções sustentáveis integradas aos ambientes urbanos.

Será lançada ainda a nova fachada do centro cultural, uma cerca personalizada de 93 metros, idealizada e desenhada por Fabiana Carvalho, reproduzindo folhas de espécies verdadeiras e sem nenhum desenho repetido. A renovação do entorno da instituição é um projeto idealizado por Perfeito Fortuna, em comemoração aos 20 anos de sua gestão na casa.

— Nesses 20 anos, trabalhamos muito no interior, colocamos ar refrigerado, fizemos o telhado, e arrumamos os banheiros. Mas as pessoas que passam pela região e não entram na Fundição não percebem as mudanças. Decidimos fazer uma intervenção que impactasse no visual, para valorizar o nosso interior — disse ele.

Patrimônio imaterial cultural
Na última sexta-feira foi aprovado na Assembleia Legislativa o projeto de lei 1216/2019, dos deputados Gustavo Tutuca (MDB) e Renan Ferreirinha (PSB), que torna a Fundição Progresso um Patrimônio Imaterial Cultural do Estado do Rio de Janeiro. O projeto segue agora para sanção do governador Wilson Witzel.

— O que está sendo reconhecido como patrimônio imaterial é o nosso modelo diferente de economia sustentável. Ainda não dá para saber o que isso muda na prática, mas seria bom se tornasse a nossa vida financeira mais confortável. Não utilizamos nenhum meio para reclamar, mas é cada vez mais difícil manter uma estrutura dessas — disse o gestor Perfeito Fortuna.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior