As obras de restauração do Convento do Carmo , na Praça Quinze , têm trazido à tona um pouco da história do período colonial brasileiro. Nas escavações , foram encontrados objetos e ossadas de animais, como a de um cavalo. Cinco arqueólogos da empresa que executa a reforma acompanham os trabalhos, e um relatório deve ser elaborado no fim desta etapa. O documento será entregue ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ( Iphan ).
A construção, tombada pelo Iphan e pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac), deixou de ser a casa dos carmelitas no início do século XIX para se tornar a moradia da Rainha Maria I, de Portugal, mãe de Dom João VI, que chegou ao Brasil em 1808 junto com a família real. A possibilidade de a obra revelar mais um sítio arqueológico no Centro do Rio já havia sido mencionada pela equipe que faz a reforma em janeiro, pouco depois do início da restauração.
— A gente está praticamente em cima de um sítio arqueológico. Antes de o prédio existir, havia um cemitério ali. Por isso, o solo deve ser muito rico de objetos da época e de ossadas — disse o arquiteto Diego de Salles ao GLOBO, na época.
Obra custeada pela PGE
Com 429 anos de história, o casario de três andares pertence hoje ao governo do estado. O imóvel já foi a sede do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro e ocupado pela Universidade Candido Mendes. Desde a construção, em 1590, a edificação passou por mais de dez intervenções em sua estrutura. A atual reforma, que deve ser concluída em 2022, vai custar R$ 14,5 milhões e está sendo bancada pela Procuradoria-Geral do Estado do Rio, cuja sede fica nos fundos do imóvel. Em troca, o órgão ocupará parte do antigo convento.
— É um prédio importantíssimo para a história política, religiosa e cultural. Estamos lidando com algo que conta cada passagem do Rio e do país. Temos que ter muito carinho e cuidado e valorizar bastante cada achado. No quintal do convento, é quase óbvio que serão encontrados vestígios de animais, não somente dos que eram criados, mas até dos que eram consumidos. Além do mais, estamos falando de uma época em que não existia coleta de lixo. Então, jogavam no quintal garrafas, copos, ossos de animais, e isso tudo acabava sendo enterrado quase que naturalmente nos terrenos — explicou o historiador e arquiteto Nireu Cavalcanti.
Para Cavalcanti, por conta da proximidade do antigo convento com a Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, existe a possibilidade de ossadas humanas serem encontradas na região do casario:
— Todas as igrejas coloniais, sem exceção, tinham um cemitério. Então, se cavar onde hoje está a Rua Sete de Setembro e um pouco para dentro, vão encontrar vestígios humanos. Além disso, também é possível que encontrem vestígios indígenas, já que toda essa orla era ocupada por tribos tupis.
Fonte: Globo
Postado por; Raul Motta Junior