Comércio irregular cresce e avança sobre áreas verdes na Avenida Gilka Machado, no Recreio dos Bandeirantes

O comércio irregular está avançando na Avenida Gilka Machado , no Recreio dos Bandeirantes , na Zona Oeste do Rio. Moradores dos arredores se queixam do aumento do número de estabelecimentos improvisados , feitos com pedaços de madeira ou alumínio ou apenas delimitados por uma cobertura de lona. Eles vêm ocupando áreas verdes e também a calçada, onde há pouco espaço para caminhar, em meio a itens diversos para venda e materiais recicláveis que ainda serão separados. Dirigir pela faixa da direita também requer atenção, uma vez que, além de artigos de um brechó, na pista há carros estacionados à espera de reparos em oficinas sem licença .

Segundo quem passa pelo local, as opções têm se diversificado, e já vão de serralheria a barraca de doces, de “loja” de conserto de eletrônicos a brechó. A ocupação cresce principalmente próximo à estação de tratamento da Cedae , na Avenida Jarbas de Carvalho.

— O que mais tem crescido é um ponto de recebimento de materiais recicláveis — conta um morador do bairro, referindo-se a uma enorme tenda, amarrada sob árvores, onde se amontoam sacos com lixo e entulho. — As pessoas que trabalham nesses lugares ainda fazem ligações clandestinas e até quebram o asfalto para puxar água de canos.

Materiais recicláveis à espera de separação se aglomeram sobre a calçada e mato adentro
Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
Materiais recicláveis à espera de separação se aglomeram sobre a calçada e mato adentro Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
A proximidade com os limites do Parque Natural Municipal Chico Mendes é um dos motivos de preocupação do morador. A Secretaria municipal de Meio Ambiente, porém, afirma que a área ocupada até agora é propriedade particular. Uma moradora conta ter visto, algum tempo atrás, placas no local anunciando a construção de casas.

— Depois que tiraram as cercas desse terreno, a ocupação está intensa. Numa área, já pude ver que derrubaram árvores e retiraram vegetação rasteira. Trabalhavam até com retroescavadeira, e pensei que poderia ser para erguer um condomínio do Minha Casa Minha Vida. As pessoas têm medo de ir lá perguntar e de denunciar. Não sabemos o que está por trás disso — conta ela.

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A moradora estranha o comportamento dos vendedores e acha que eles escondem, na verdade, a intenção de fixar residência no local.

— Entrei numa lojinha que vende sofá e eles não fazem nem questão de vender. Colocam um preço absurdo para você não comprar. Aquilo ali é uma ocupação (para erguer moradias) — aposta. —Eu fico com medo. Há uns homens grandes e meio agressivos ali.

A Secretaria municipal de Urbanismo afirma ter realizado “procedimentos de fiscalização nas construções irregulares”, mas explica que uma decisão judicial obtida pela Defensoria Pública, em dezembro de 2018, determinou que a pasta se abstenha de efetuar qualquer intervenção na área, sob pena de multa.

Uma das faixas de rolamento da via fica tomada por veículos de vendedores e clientes, inclusive carros e motos à espera de conserto numa oficina sem autorização Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
Procurada, a Defensoria Pública disse que não teria como comentar o caso sem estar de posse do número do processo, que a Secretaria de Urbanismo não conseguiu fornecer até o fechamento desta edição.

Sobre a ocupação irregular das calçadas e das faixas de rolamento, a Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) afirma que há um mês a Avenida Gilka Machado e seu entorno foram alvo de uma operação na qual foi identificado um lava-jato clandestino que furtava água encanada da Cedae. Na ocasião, foram removidos também cinco motocicletas, dois carros e dois trailers por estacionamento irregular.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior