Tragédia na Lagoa: Prefeitura não tem dados atualizados sobre população de rua

As últimas semanas foram marcadas por notícias de uma cracolândia em cima do Túnel Sá Freire Alvim, em Copacabana, de uma favela às margens do corredor Transbrasil, na altura do Complexo da Maré, e de denúncias sobre crescimento da população de rua no Centro, em Ipanema e até na Barra. Neste domingo, um morador de rua esfaqueou e matou duas pessoas na Lagoa Rodrigo de Freitas , embaixo do Viaduto Saint Hilaire, que dá acesso à Fonte da Saudade, na Zona Sul do Rio. Apesar disso, a prefeitura não tem dados sobre quantas pessoas hoje vivem nas ruas do Rio.

O último balanço, de março de 2018, apontava que eram 4.628 pessoas. O número representava uma população 67% menor do que a do levantamento de 2016, quando foram identificadas 14.279 pessoas em situação semelhante. Na ocasião, especialistas consideraram o resultado controverso, já que a crise econômica indicava que o quadro teria, provavelmente, se agravado.

Mas o município, à época, explicou que a redução teria acontecido em razão de uma mudança na metodologia da pesquisa. O município alega que, no momento, trabalha em novos ajustes no processo de contagem.

“Foram feitos levantamentos em anos anteriores, mas, por conta da metodologia utilizada, não estão mais sendo considerados”, afirmou ontem, por meio de nota, a Secretaria municipal de Assistência Social e Direitos Humanos.

“É grave a prefeitura não disponibilizar dados oficiais”

REIMONT
Presidente da Comissão Especial de Políticas Públicas para a População em Situação de Rua da Câmara
Segundo a pasta, uma nova pesquisa está sendo planejada. Até que fique pronta, o Rio continua sem dados sobre o perfil dessas pessoas em estado de vulnerabilidade.

— Sem esses dados, é impossível traçar políticas públicas sérias — afirma a vereadora Teresa Bergher, ex-secretária de Assistência Social do município, que deixou o governo após romper com o prefeito Marcelo Crivella. — Este ano, o prefeito cortou 30% dos recursos da Assistência Social. Nos dois anos anteriores, os cortes já somavam R$ 106 milhões.

Também presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, Teresa entrará com uma representação no Ministério Público exigindo da prefeitura a divulgação de novos dados.

Presidente da Comissão Especial de Políticas Públicas para a População em Situação de Rua da Câmara, o vereador Reimont (PT) critica a falta de informações:

— É grave a prefeitura não disponibilizar dados oficiais.

Segundo o Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública, há cerca de 15 mil pessoas nas ruas.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior