Ruas desertas e escuras , dezenas de moradores de rua espalhados pelas calçadas, sensação de abandono . Após o encerramento das atividades do comércio de rua no Centro de Niterói — as portas são fechadas entre 18h e 20h —, quem circula pela região se depara com um cenário de degradação . Apesar de a polícia e a prefeitura alegarem que os números de roubos na região vêm diminuindo a cada mês, afirmando que o patrulhamento é realizado, a sensação de insegurança não acompanha essas estatísticas.
Moradora de Icaraí, a analista de sistemas Ana Lopes se assustou com o pouco movimento e a falta de patrulhamento e iluminação nos pontos de ônibus que ficam na Avenida Visconde do Rio Branco, próximo ao Plaza.
— Fiquei surpresa com esse deserto porque o shopping ainda está aberto. Vim do Rio de barca e achei que seria tranquilo pegar o ônibus para Icaraí nesse horário, mas estou assutada porque está bem escuro e vazio. Eu me arrependi de não ter pego um táxi ou Uber — contou Ana, às 21h45m, enquanto aguardava o ônibus.
Nas ruas internas a escuridão é pior, mas avenidas principais, como Amaral Peixoto e Visconde do Rio Branco, não ficam atrás, e o vazio em horários que antes registravam uma maior circulação de pessoas chama a atenção. Estudante universitária, Yasmin Dias diz que tem evitado andar a pé pelo Centro à noite.
— Ando pela rua apertando o passo e morrendo de medo. E estou falando de horários razoáveis, antes das 22h. De madrugada, nem cogito — declarou.
Doutor em Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Ozéas Lopes Filho alerta que os índices de criminalidade não são suficientes para mensurar a sensação de segurança:
— Os índices de roubos diminuíram, mas o número de mortes por policiais aumentou drasticamente. Será que a sociedade se sente protegida com uma polícia mais violenta? As pessoas estão com medo de andar nas ruas. A segurança pública não pode ser confundida apenas por policiamento, que é um componente dela, mas envolve iluminação e transportes públicos de qualidade, além de ruas bem cuidadas. Na região central, os shoppings estão sobrevivendo porque as pessoas têm uma sensação de acolhimento, mas fora dele sentem um vazio. Isso é ruim.
Em nota, a prefeitura diz que a Guarda Municipal mantém um veículo na Praça Araribóia 24 horas por dia e que na Avenida Visconde do Rio Branco, esquina com a Rua Quinze de Novembro, dispõe de outro carro, até o fechamento do comércio da região e fim do grande fluxo de pessoas no local.
“A Guarda também possui uma coordenadoria exclusiva, com plantão 24 horas, para dar suporte aos servidores da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos na abordagem de pessoas em situação de rua. Além disso, é realizado trabalho de monitoramento e inteligência do Centro Integrado de Segurança Pública, que atua de forma integrada com a Polícia Militar, com o programa Niterói Presente e a Polícia Civil”, diz a nota.
A prefeitura acrescenta que a estrutura de patrulhamento definida pelos órgãos ligados à segurança pública tem surtido efeito, como demonstram as estatísticas divulgadas pelo Instituto de Segurança Pública (ISP).
“Os roubos de rua caíram 30,25% em Niterói no mês de abril, em comparação com o mesmo período no ano passado. A cidade teve a redução mais expressiva neste tipo de crime em todo estado. Especificamente a região da 76ª DP, que atende o Centro da cidade, contabilizou redução em abril de 2019, comparada com o mesmo período de 2018, de 27,27% nos casos de roubo de rua. No acumulado dos primeiros meses do ano, de janeiro a abril, Niterói registrou redução de 22,2% no número de roubos de rua”, finaliza a nota.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior