Cão-guia e atleta de canicross: quando os cachorros exercem funções de gente grande

Carlos Alvim e Jade se conheceram há pouco mais de um mês, no Instituto Magnus, em Salto do Pirapora, em São Paulo, e desde então a vida de um está atrelada à do outro. Jade é a cão-guia de Alvim, que é deficiente visual. Antes, ele contava com o auxílio da labrador Brida, hoje aposentada, que vive com ele em sua casa em Icaraí e não tem mais uma rotina de trabalho a cumprir. Assumir funções profissionais é um papel também de cães. Por terem habilidades aguçadas, acabam tendo sucesso nas atividades e ainda estabelecem laços fortes com seus tutores.

— É uma relação de companheirismo, parceria. Jade está 24 horas por dia comigo. Quando põe a guia, está trabalhando. Quando eu usava apenas a bengala, me sentia inseguro, dependente, e evitava sair de casa. Jade é meus olhos, e temos uma relação de amizade — comenta Alvim. — Não tenho filhos, mas acho que dá para comparar. O amor eu divido entre as duas, e só quem tem um cão assim vai entender.

Quem entende bem esse sentimento é o atleta Willian Oliveira, que pratica canicross com Xico, um braco alemão de pelo curto. Os dois exibem o título de campeões sul-americanos de 2018 em sua categoria e se preparam para o Mundial na Letônia, em outubro. Para isso, Xico tem uma rotina de treinos intensa.

Intenso. Willian Oliveira treina com o cão Xico, seu companheiro de canicross Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo
Intenso. Willian Oliveira treina com o cão Xico, seu companheiro de canicross Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo
— É o treino de um humano, só que adaptado. Corrida, fortalecimento, tudo que um corredor faz, ele também faz — diz Oliveira.

Com a vida bem mais mansa, Negão (que também atende por Pretinho e Tortinho) é um cão de rua que já tem sua figura associada aos guarda-vidas da Praia de Itacoatiara. Ele não tem uma rotina de trabalho nem cargo no Corpo de Bombeiros, mas adora se posicionar ao lado dos profissionais, tanto que já ganhou uma camiseta da corporação.

Pouco chegado à água, ele implica com embarcações que se aproximam. Quem cuida do vira-latas, que tem mais de 10 anos, é Brigitta Fischer. Ela abre a sua casa em Itacoatiara todas as noites para que ele durma antes de iniciar um “dia de trabalho”. É ela também quem o alimenta e leva ao veterinário.

— Mesmo não sendo oficialmente de ninguém, é amado por todos. É da família — diz Christina Matoso, filha de Brigitta.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Fábio Guimarães / Agência O Globo