Única unidade do estado do Rio especializada no serviço, o Batalhão de Ações com Cães (BAC) tem sede no bairro de Olaria. São mais de 70 cães em atuação, que se dividem em cinco especialidades: faro de armas e drogas, equipe de busca e captura, policiamento de choque em grandes eventos, núcleo cinófilo (que age junto ao Bope) para resgaste de reféns e suicidas, e faro de explosivos.
O BAC faz parte do Comando de Operações Especiais (COE). São 225 policiais atuantes, incluindo equipe médico-veterinária e de cuidadores. O carro-chefe da unidade é o faro de armas e drogas. Em 2018, foram apreendidos 12.800 quilos de entorpecentes no estado graças aos cães. Este ano, já foram apreendidas aproximadamente 2,8 toneladas, segundo Rafael Sepulveda, comandante do batalhão.
A raça mais utilizada é o pastor-belga de Malinois, mas o pastor-alemão e o belga também são aproveitados. São cães resistentes, que aguentam longos períodos em campo. No momento, o BAC está com extensa operação na Serrinha, e algumas vezes eles trabalham por períodos de 12 horas.
Um enfermeiro sempre acompanha o processo, e caso o cão se machuque ou demonstre sinais de cansaço é levado imediatamente de volta ao batalhão. Os cachorros passam pela equipe veterinária antes e após qualquer operação para um check-up.
—Buscamos sempre o bem-estar animal. Submetemos o cão a essa ajuda recíproca de trabalho. Depois, os cães são doados em perfeito estado de saúde — afirma Sepulveda.
Os cães são “aposentados” após oito anos em atuação, quando ainda terão, em média, cinco anos de vida. Além da própria equipe, muitos civis ligam pedindo para adotar. O BAC seleciona os cães no perfil dos interessados para efetuarem as doações. Os de faro são extremamente dóceis e os de choque têm temperamento mais moderado para agressivo.
A equipe de choque age mais na contenção de eventos e só precisa atuar em casos extremos, como último recurso. Conforme o comando, o cão agarra e larga, sempre somente nos membros, preferencialmente as pernas, ou os braços, caso o indivíduo esteja armado. Em estádios, o batalhão atua fazendo uma fileira divisória entre as torcidas. Já em manifestações, costuma ficar na terceira fileira de contenção, atuando em conjunto com o Bope. Em eventos como o Rock In Rio, que recebem muitas crianças, a equipe de faro e explosivos faz varreduras nos palcos previamente. Não é permitida a entrada da equipe de choque, para evitar mordeduras acidentais.
Os cães passam por um preadestramento, dos 6 aos 8 meses, e então já começam o treinamento. O auge da maturidade de serviço chega, em média, aos 3 anos. A manutenção é diária, e a recompensa do treinamento são brinquedos. A alimentação é feita exclusivamente com ração, água e, caso tenha necessidade, suplementos vitamínicos.
Há um equilíbrio entre cães machos e fêmeas no batalhão. Os cruzamentos são sempre intencionais, e o casal precisa ter sido aprovado, tanto pela equipe médica quanto pelos treinadores. Existe um minicentro cirúrgico no batalhão, que permite cirurgias simples como cesáreas, castrações e inseminações artificiais.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Gabriel Monteiro / Agência O Globo