A cake designer Isabele Cabral demorou seis meses para decidir como cortaria o cabelo. No fim, escolheu trocar o megahair pelor nudread, corte curtinho com falsas tranças (ou dreads, em inglês). A transição teve auxílio da tesoura, mas o que definiu mesmo o novo visual foi um acessório inusitado, que tem feito a cabeça de milhares de pessoas: a esponja. Disponível em diferentes formatos e marcas, ela virou febre entre quem tem cabelos crespos. Funciona assim: basta passar o produto, que tem um lado com furos e outro pontudo, para, com o atrito, transformar os cachos em trancinhas.
Vendido por R$ 25 a R$ 30, o produto faz sucesso em lojas e já foi parar nas banquinhas de camelôs, que oferecem versões de bolso e com furos menores, ideais para cabelos mais curtos. Em Madureira, um único salão comercializa cerca de mil unidades todos os meses.
— Nunca vendi tantas esponjas como agora — diz Paulo Roberto Silva, dono de um salão em frente ao Parque de Madureira, e dono da Esponja Magic, que fabrica 300 esponjas por semana.
Acessório muda os cabelos e é tendência em salões de Madureira – Reportagem e imagens Saulo Pereira Guimarães
Patente requerida
O sucesso é tanto que Paulo já pediu o registro da patente do produto e negocia com uma rede de salões de beleza especializada em cabelos cacheados o fornecimento das esponjinhas.
— Essa moda ganhou ainda mais força depois do filme Pantera Negra, onde o ator principal e quase todo elenco tinham o penteado nudread — comenta Deiverson Crespo de Carvalho, o Deivão, dono de uma barbearia na Pavuna que recebe cerca de dez clientes interessados no look todas as semanas.
Quem adota o penteado não quer largar. E acaba ajudando a propagar a moda, como Isabele:
— O principal diferencial que eu percebi foi na textura. Meu cabelo ficou mais bonito e prático de cuidar. Acordar e só ter que passar a esponjinha é sensacional — diz a cake designer, que agora tenta convencer a mãe a adotar a novidade.
Entre as crianças, como Théo de Oliveira, de 4 anos, a novidade também tem feito sucesso. A praticidade conta pontos — só é preciso lavar o cabelo duas vezes por semana e passar a esponja depois —, mas muitos também enxergam um significado político na esponja:
— Com meu trabalho, colaboro para as pessoas assumirem seus cabelos da forma como são. A esponja é uma ferramenta de empoderamento — diz Paulo Roberto.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior