Diabo ‘não era Crivella’, mas, a pedido, perde chifre e fica de fora do carnaval

Quando uma alegoria da Acadêmicos do Sossego, à imagem e à semelhança de Marcelo Crivella, com chifres diabólicos esculpidos na testa, ganhou há um mês as redes sociais, o presidente da agremiação, Wallace Palhares, negou que a escola tivesse se inspirado no prefeito, que tem mantido relações tensas com as agremiações. Mas, a quatro dias do carnaval, uma reviravolta mostra que a confecção de um boneco tão parecido com o prefeito não foi mera coincidência.

Após um pedido do advogado Victor Travancas, coordenador de Captação de Recursos do município, que se reuniu na segunda-feira com dirigentes da Acadêmicos do Sossego, a escultura perdeu os chifres, que foram cortados. E a alegoria, batizada de “demônio da intolerância”, nem irá mais para a Sapucaí. O diretor de Carnaval, que não teve o nome divulgado, foi mandado embora.

Sobre a vitória da prefeitura, Travancas comentou:

— O debate político permanece, mas com respeito à fé de cada um.

Não parece, parece, é
O enredo da escola este ano, “Não se meta com a minha fé, acredito em quem quiser”, tem como mote o combate à intolerância religiosa. Procurada, a Sossego emitiu nota em que afirma ter sido questionada por Crivella sobre a escultura: “O prefeito indagou sobre o uso da referida alegoria, pois tal ato não condiz com suas práticas religiosas. A agremiação, buscando evitar qualquer tipo de dissabor ao prefeito da Cidade do Rio, entendeu ser necessário reavaliar o uso da referida escultura”.

Palhares, há cerca de um mês, havia dito que a escultura ter a cara do prefeito tinha sido uma casualidade: “Eu não fiz o prefeito. Se ficou parecido, lamento, até porque ninguém nunca viu o diabo para comparar. Pode ser algo que tenha ficado no subconsciente”. Nesta segunda, ele contou que, após conversar com o carnavalesco, soube que a fonte de inspiração tinha sido mesmo Crivella.

— Depois, houve uma afirmação do diretor de carnaval da escola em que ele admitiu que a escultura era, sim, uma referência ao prefeito. Ficou o dito pelo não dito, e isso gerou um mal-estar — afirmou o presidente da Acadêmicos do Sossego.

Segundo ele, dois fatores foram determinantes para demitir o diretor de carnaval e condenar a alegoria, agora relegada à condição de tralha no barracão da escola, ao fogo do esquecimento.

— Já que estamos falando de intolerância religiosa, não vamos criticar a religião do prefeito. Outro ponto foi que o efeito surpresa se perdeu. Todos já tinham visto pela internet — justificou, sem deixar de criticar os cortes de Crivella, pelo segundo ano consecutivo, na subvenção das escolas. — Esperamos que ele trate o carnaval com dignidade.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior