Boneca Barracão: candidatas trans, que trabalham em escolas de samba, disputam o título na quadra da Vila

Boa dose de luxo, quilos de glamour, pinceladas generosas de purpurina, samba no pé e animação na voltagem máxima. Estão aí os pré-requisitos para vencer o concurso Boneca Barracão, que, como o nome revela, reúne quem trabalha nos bastidores da folia, nos barracões das escolas de samba. O evento, que promete fechar com chave de ouro a quinta edição do Baile Glam Gay, acontece nesta sexta-feira à noite, na quadra da Unidos de Vila Isabel. Comandado pelo carnavalesco Milton Cunha, o concurso tem 15 candidatas . Uma delas, Fabiany Carraro, de 26 anos, pretende repetir o feito de 2017, quando levou o título.

— Vou vestir uma roupa de rainha de bateria, com muito luxo, penas, uma cabeça enorme e levar meu samba no pé. Mas não basta só isso. Tem que transmitir alegria, levantar o público. Todo gay que ama o samba e é sambista sonha em desfilar à frente de uma bateria — diz Fabiany, que é maquiadora e prepara rainhas como Evelyn Bastos, da Mangueira.

Enquanto Fabiany conta os sete títulos de rainha e musa trans que já tem na estante, Ana Claudia Matarazzo, de 42 anos, que estreia este ano na ala das drags do Salgueiro, diz que veio de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, onde mora, com disposição para levar a faixa para casa. Com 1,97 metro de muita timidez, ela garante que se transforma ao subir na passarela:

— O concurso é o sonho de qualquer trans que gosta de carnaval. Vou dar o meu melhor.

Bianca Castro, outra candidata, diz que não basta beleza para vencer:

— É preciso levantar o público.

Milton Cunha confirma:

— Não ganha a mais bonita, mas a que quebra tudo. É uma guerra de bonecas!

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior