Boas-vindas a turistas nem na chegada ao Aeroporto Internacional

Ávido por explorar as belezas do Rio por conta própria, o empresário canadense Jacques Saint-James, de 46 anos, foi cercado por guias e taxistas assim que pôs os pés no desembarque do Aeroporto Internacional Tom Jobim-Galeão, no último fim de semana. Após desviar dessa recepção nada agradável na principal porta de entrada na cidade, ele tentou saber sobre as atrações que pretendia visitar, mas, há mais de um ano, a Riotur fechou o único posto de informações para visitantes do terminal. O quiosque, hoje, é ocupado por uma locadora de veículo.

— Estou perdido, só tem taxista tentando me abordar — queixou-se Jacques.

O problema se estende ao resto da cidade. Por falta de recursos, a prefeitura só mantém abertos sete quiosques de apoio a visitantes, menos da metade do total que existia há dois anos.

Olimpíada na divulgação
E, nos que ainda funcionam, o atendimento é precário e as informações prestadas estão desatualizadas. Antes bimestral, a publicação oficial da Riotur com roteiros turísticos não tem uma nova edição desde junho de 2018. Os mapas disponíveis, muitas vezes, não mostram toda a cidade. Na semana passada, no contêiner em frente ao Pão de Açúcar, só havia mapas de trajetos de uma empresa de ônibus turístico. No posto da Riotur na Rodoviária Novo Rio, ainda são distribuídos exemplares preparados para a Olimpíada, que foi há mais de dois anos.

Em agosto de 2016, durante os Jogos, o Rio tinha 19 postos de atendimento. Dois deles ficavam no Galeão. Entre os que foram fechados, estão quiosques que ficavam na Candelária, na Lapa, no Leblon, em Santa Teresa e na Praia do Pepê, na Barra.

A Riotur anunciou, em agosto de 2017, um plano para instalar dez quiosques em que os próprios turistas poderiam fazer suas consultas na internet. Mas apenas três foram implantados: no Aeroporto Santos Dumont, na Rodoviária Novo Rio e na Praia Vermelha. Hoje, há postos no Largo do Machado, no Shopping da Gávea e em Copacabana (dois).

O presidente da Riotur, Marcelo Alves, atribuiu o fechamento dos postos à cris.e Ele anunciou que, em 20 dias, abrirá um novo ponto no Galeão. Uma revista nova com roteiros turísticos também deverá ser lançada em fevereiro.

Se é a primeira impressão que conta, a prefeitura do Rio está com sua imagem correndo sério risco. Desde esta quinta-feira, a recepção dos dois prédios principais do Centro São Sebastião, sede administrativa do município, na Cidade Nova, está vazia. Quem chega ali em busca de um serviço público ou mesmo de uma simples informação fica sem ter a quem recorrer. Não há um funcionário sequer nos guichês, o que dá a impressão de que se trata de uma repartição fantasma.

Guardas municipais, que fazem a segurança no local, tentaram ajudar na medida do possível, mas isso não evitou que muita gente desistisse e voltasse para casa.

Procurada, a prefeitura informou, por meio da Subsecretaria municipal de Gestão, que o problema aconteceu porque a empresa contratada pelo município — a Total Clean Comercio e Serviços Eireli, que desde janeiro do ano passado gerencia uma equipe de 42 pessoas para atender na recepção e na copeiragem — não pagou os salários de dezembro de 2018. Mesmo, segundo a pasta, tendo recebido os repasses do município. O órgão disse estar em contato com a empresa, mas não soube informar quando o atendimento ao público será normalizado. Não foi possível localizar os representantes da Total Clean.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior