Street League Skateboarding tem disputa pela primeira vez no Rio

O calendário esportivo da cidade começa com um evento inédito na região. Sobre quatro rodinhas, atletas do skate — com nomes de peso — vão ocupar a Arena Carioca 1, no Parque Olímpico, na Barra, entre os dias 8 e 13 durante o Street League Skateboarding (SLS). O campeonato mundial tem pela primeira vez uma etapa no Rio.

Ao todo, competem 74 atletas, com 50 homens e 24 mulheres provenientes de 36 países, nas semifinais e finais, abertas ao público nos dias 12 e 13. Representando o Brasil, tem skatista com título mundial, como Kelvin Hoefler e Pâmela Rosa. Outros nomes de destaque que estão de malas prontas para competir em casa são Leticia Bufoni, Tiago Lemos e Felipe Gustavo. Entre os estrangeiros, destaque para o japonês Yuto Horigome e o americano Chris Joslin.

A fase classificatória, entre os dias 8 e 10, será a portas fechadas. O dia 11 é reservado para treino. Assim como nas outras etapas — nesta edição realizadas em Londres, na Inglaterra; e Los Angeles e Huntington Beach, nos Estados Unidos —, a pista é exclusiva para a disputa, sendo mantida em segredo até a competição. Com tantos nomes de peso brigando por um lugar no pódio, o mistério é um dos elementos que instigam a criatividade, conta Pedro Rego Monteiro, diretor executivo da Effect Sports, organizadora da competição em terra carioca.

— É um projeto mantido em segredo até para nós. Uma equipe vem de fora com a proposta de ser nos mesmos moldes que fazem para os outros eventos e, por ser uma final, talvez conte com mais variações. Certamente a expectativa de como vai ser é um dos grandes atrativos. Ninguém andou na pista antes, então não tem vantagem — conta Monteiro.

Kelvin Hoefler é detentor, entre outros, de cinco títulos mundiais. Tanta premiação o consagrou não só como referência no esporte como deu lugar no Guinness Book, o Livro dos Recordes, em 2017, por ser o skatista com mais títulos na categoria street. Apesar do desempenho, a dedicação é exigida. Pouco antes da entrevista ao GLOBO-Barra, por telefone, ele fazia manobras, pensando na etapa carioca, após se classificar em segundo no top 4 da SLS, o que o leva diretamente para a etapa Super Crown Final.

— As pistas sempre são diferentes umas das outras. Isso é um desafio a mais, e é preciso estar com o treinamento em dia. Se não, vai ter que se adaptar um dia antes da competição. É difícil competir no Street League porque a gente nunca sabe como vai ser — diz o skatista.

Tóquio 2020
O skate foi anunciado, em 2016, como uma das cinco novas modalidades esportivas para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 — ao lado de surfe, beisebol, escalada e caratê. Se em terras brasileiras o aumento no interesse pelo esporte já era notado, alavancado por nomes nacionais de destaque, agora a expectativa é quanto ao incentivo e à fomentação de eventos dedicados à prática.

O pentacampeão mundial Kelvin Hoefler iniciou nas quatro rodinhas no Guarujá, em São Paulo, em ruas nem sequer asfaltadas até então, com obstáculos improvisados na calçada para treinar e criar manobras. A participação em competições pelo mundo lhe permite notar a mudança no interesse pelo skate, tanto em público como em novos adeptos.

— A prática do esporte tem crescido no mundo inteiro. Como a Olimpíada é um evento de massa, muita gente fica de olho em competir. Mas é bem diferente para nós que andamos há anos, quando nem se cogitava em ter na Olimpíada. Acho que vai ser legal para todo mundo. Para nós, para a galera nova chegando e para o leigo, que vai ver um esporte bem diferente dos outros — diz Hoefler, que foi embaixador do Oi Skate Total Urbe Open (STU), na Praça do Ó, na Barra, ano passado.

O skate feminino também chega representado no SLS com nomes de peso, com as brasileiras Leticia Bufoni, com oito medalhas nos X-Games, sendo três ouros; e Pâmela Rosa, bicampeã mundial da World Cup Skateboarding e medalhista quatro vezes no X-Games, com dois ouros.

Pâmela se machucou durante a etapa em Londres, tendo terminado na quarta colocação. Os cuidados têm sido mais intensos para competir bem na reta final. A paulista, de 19 anos, diz se sentir em casa no Rio.

— Apesar de estar um pouco machucada, estou me recuperando para chegar bem. Estou ansiosa. Minha família inteira vai estar lá, e tenho treinado muito — conta a skatista, de olho no único troféu ainda não conquistado.

Nos dois últimos anos, ela participou também do STU, na Barra.

— Venho participando do Street League, e é o único que ainda não conquistei. Vamos com tudo para conseguir esse reconhecimento para o Brasil — diz.

Durante os Jogos Rio 2016, a Arena Carioca 1 recebeu competições de basquete, nas Olimpíadas, e de basquete e de rúgbi em cadeira de rodas, nas Paralimpíadas. A estrutura olímpica foi um dos requisitos para a escolha como sede da SLS. Em cada dia aberto, a capacidade de público chega a cinco mil pessoas. A equipe da Effect Sports, organizadora da competição, acompanhou as etapas anteriores atenta ao padrão exigido, diz o diretor executivo, Pedro Rego Monteiro:

— Quando estive em Los Angeles, falei com muitos brasileiros dessa etapa no Rio. Nosso trabalho era de passar segurança de ser possível realizá-la, e contando com uma arena olímpica. É realmente o maior evento dedicado ao skate de street do mundo, e nesse momento os olhares vão estar voltados para o Rio.

Os ingressos podem ser comprados no site streetleague.com/tickets. No dia 12, o evento aberto ao público tem início às 13h; e no dia 13, às 15h. O valor das entradas varia de R$ 70 (arquibancada) a R$ 240 (cadeira pista), com pacote promocional para as duas datas.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Julio Detefon / Divulgação