Um patrimônio do Rio poderá ser salvo das ruínas. É que o governo do estado assinou nesta quinta-feira um termo de compromisso com o Tribunal de Justiça em que faz a cessão provisória da Estação Barão de Mauá, a antiga Leopoldina, no Centro, que está abandonada há décadas. Como Ancelmo Gois divulgou em sua coluna no GLOBO , o acordo prevê a restauração do imóvel de 1926. A promessa é que o espaço, além de centralizar as áreas administrativas e logísticas do Judiciário, ganhará também um museu com a história do sistema ferroviário.
Mas o tribunal terá que ratificar a cessão do terreno, tornando-a permanente, com o governador eleito, Wilson Witzel, após a posse. O TJ informou que antecipou a medida para evitar uma degradação ainda maior da área que está abandonada.
A parte que mais interessa aos cariocas é a abertura do espaço. A ideia é que o local tenha uma exposição permanente na antiga área das roletas, mantendo locomotivas no setor de embarque, com intuito de preservar a memória da estação.
Estimada inicialmente em um estudo feito pelo estado em R$ 40 milhões, a obra deverá custar bem menos. Segundo o juiz auxiliar Marcello Rubioli, os valores devem atingir, no máximo, R$ 15 milhões. Como ainda deve ser realizada uma licitação, a previsão é que as obras só comecem em julho de 2019.
— Será importante para o tribunal e para a região. Revitalizará a área e trará vida ao bairro, com maior circulação de pessoas e segurança reforçada — afirmou Rubioli.
NO PACOTE, MAIS DOIS TERRENOS
Também fazem parte da cessão a área no número 401 da Rua Ceará, na Praça da Bandeira, e o número 303 da Rua Francisco Eugênio, em São Cristóvão. Os terrenos, somados, têm 33 mil metros quadrados. Com o novo espaço, o TJ pretende que o Complexo Judiciário, que fica no Centro, seja utilizado apenas para atividades-fim do fórum.
O documento de cessão foi assinado pelo governador em exercício, Francisco Dornelles, e pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Milton Fernandes de Souza, no Palácio Guanabara.
Tombado pelo Iphan e pelo Inepac, a Estação Leopoldina está vazia desde 2001 e é alvo de uma disputa judicial entre a Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central), a União e a concessionária SuperVia, que discutem quem é responsável pela recuperação da construção. Segundo o secretário estadual da Casa Civil, Sérgio Pimentel, a cessão permitirá que sejam adotadas medidas para conservar o patrimônio.
Laudo da Polícia Federal do ano passado constatou que há risco iminente de desmoronamento. As áreas mais degradadas estão no edifício anexo: o hall de entrada e a escada de concreto. O ambulante Carlos Alberto Goncalves, que trabalha ali há 21 anos, afirma que já teve a cobertura de sua barraca perfurada duas vezes por pedaços de concreto:
— Um deles era bem pontiagudo e furou a lona.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior