No estado, 300 mil pessoas vivem em 2.700 áreas de risco e com medo de deslizamentos

As cidades de Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis entraram em alerta máximo na última segunda-feira. Um temporal elevou o nível dos rios, alagou ruas e causou deslizamentos de terra que atingiram casas e veículos . A tempestade, antecipada por ventos fortes, assustou a Região Serrana, fazendo muitos moradores temerem, na véspera do Natal, uma tragédia como a de 2011, que provocou pelo menos 905 mortes (191 pessoas são dadas como desaparecidas). Números da Secretaria de Defesa Civil fluminense obtidos pelo GLOBO mostram que, em grande parte do Estado do Rio de Janeiro, o medo de um desastre natural se justifica: há cerca de 300 mil pessoas vivendo em 2.700 áreas de risco.

Enquanto, na segunda, três casas eram interditadas por bombeiros em Nova Friburgo, uma forte chuva levava muita gente a sair de residências localizadas perto de encostas em Angra dos Reis. Ou seja, tanto na Região Serrana como na Costa Verde, a situação é preocupante. Mas há locais em que a probabilidade de ocorrer um deslizamento é maior.

AS ÁREAS DE RISCO
Estado do Rio tem
300 mil
pessoas vivendo em
2.700
áreas de risco
Grupo 1 (Mais de 100 áreas vulneráveis)
Angra dos Reis, Niterói, Nova Friburgo, Petrópolis, São Gonçalo, Teresópolis e Rio de Janeiro
Grupo 2 (Entre 70 e 100 áreas vulneráveis)
Barra Mansa, Duque de Caxias, Itaperuna, Piraí e Mangaratiba
Grupo 3 (Entre 36 e 70 áreas vulneráveis)
Cantagalo, Nova Iguaçu, Paraíba do Sul, Trajano de Moraes e Três Rios
Grupo 4 (Entre 19 e 35 áreas vulneráveis)
Barra do Piraí, Bom Jardim, Bom Jesus de Itabapoana, Cachoeiras de Macacu, Carmo, Comendador Levy Gasparian, Duas Barras, Guapimirim, Itaocara, Macuco, Magé, Miracema, Natividade, Paraty, Porciúncula, Queimados, Rio Claro, Rio das Flores, Santa Maria Madalena, Santo Antônio de Pádua, São João de Meriti, São José do Vale do Rio Preto, São Sebastião do Alto, Sapucaia, Sumidouro, Valença, Varre-Sai, Volta Redonda, Cordeiro e Italva
Grupo 5 (Entre 9 e 18 áreas vulneráveis)
Areal, Armação de Búzios, Belford Roxo, Cambuci, Campos dos Goytacazes, Japeri, Laje do Muriaé, Macaé, Maricá, Mendes, Miguel Pereira, Paracambi,
Paty do Alferes, Pinheiral, Quatis, Rio Bonito, Silva Jardim e Vassouras
Grupo 6 (Até 8 áreas vulneráveis)
Aperibé, Araruama, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Carapebus, Cardoso Moreira, Casemiro de Abreu, Conceição de Macabu, Engenheiro Paulo de Frotin, Iguaba Grande, Itaboraí, Itaguaí, Itatiaia, Mesquita, Nilópolis, Porto Real, Quissamã, Resende, Rio das Ostras, São Fidélis, São Francisco de Itabapoana, São João da Barra, São José do Ubá, São Pedro da Aldeia, Saquarema, Seropédica e Tanguá
Fonte: Defesa Civil do Estado do Rio
Morro da Boa Esperança, em Niterói: oito casas foram destruídas por causa do deslizamento de uma rocha Foto: Gilberto PorcidonioMorro da Boa Esperança, em Niterói: oito casas foram destruídas por causa do deslizamento de uma rocha Foto: Gilberto Porcidonio
O levantamento da Defesa Civil aponta que o município do Rio, Angra dos Reis, São Gonçalo, Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis são cidades que têm, cada uma, mais de cem áreas de risco identificadas. Nessa relação também entra Niterói, onde, no dia 10 de novembro, uma rocha se desprendeu e provocou 15 mortes, inclusive de quatro crianças, no Morro da Boa Esperança.

As sete cidades, segundo o estudo da Defesa Civil, integram o chamado Grupo 1, que define os locais com maior probabilidade de ocorrer desastres. Apenas nos municípios de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e Bom Jardim, 171,8 mil pessoas vivem em casas que podem ser atingidas por quedas de barreiras, deslizamentos ou enchentes.

Segundo a Defesa Civil, grande parte da população que reside em áreas de risco reocupou casas que haviam sido interditadas. Com o início de um verão que terá influência do El Niño — fenômeno meteorológico que propicia a formação de tempestades —, a preocupação aumentou.

Comandante do Corpo de Bombeiros e secretário de Defesa Civil do Rio, o coronel Roberto Robadey destaca que o Centro Estadual de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais vem intensificando a troca de informações com outros órgãos e prefeituras.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior