Linha férrea elevada e, embaixo dela, uma área de lazer que integrava um ambicioso plano de transformar a região que ficou conhecida como Faixa de Gaza. Num país de muitas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) incompletas, essa — ao longo da Avenida Leopoldo Bulhões, no Complexo de Manguinhos — ficou pronta. Mas, largada ao léu pelo poder público, não livrou seu entorno do medo, nem proporcionou um ambiente melhor para se viver. Às margens da via, que chegou a ser chamada de Rambla de Manguinhos, em referência ao famoso calçadão de Barcelona, multiplicam-se casas de alvenaria e de madeira. Barracos ocupam, inclusive, a praça sob a estação de trem da comunidade. E o movimento do tráfico de drogas corre livremente.
Perto do fim do ciclo de governos que implantaram o PAC, Manguinhos não é o único símbolo do abandono do programa. A situação se repete na Rocinha e no Alemão, onde parte das intervenções nem saiu do papel. Desde 2007, 18 favelas ou conjuntos de comunidades receberam 23 projetos de “urbanização de assentamentos precários”. Os investimentos previstos superavam os R$ 2,1 bilhões. Mas, no último balanço, referente a junho deste ano, 12 dessas ações ainda constavam como “em obras”.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior